5ª Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 01/Junho/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Alessandro Montoya, Gustavo Samogim, João Ferreira, Marcelo Sperandim, Orlindo Martins e Renato Maldonado.
Chug-a-luggers Ausentes: Marco Jordan, Ed Gomes e Rodrigo Menossi.

Presidente: Alexandre Fornazari

A reunião foi iniciada às 20:00, como de costume, com o Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Nesta edição foi feita uma apresentação sobre os cereias fermentáveis. Foi explicado sobre a função destes elementos na cerveja, sua interferência na cor e no sabor da cerveja. Foi explicado também a diferença entre cerais maltados e não-maltados onde foi passado uma lista dos principais cereais maltados, cereais não maltados além de outros produtos fermentáveis. Finalmente foi discutido brevemente outras aplicações envolvendo fermentação.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Alexandre Fornazari, apresentou formalmente o novo confrade, João Ferreira, e pediu que ele contasse um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência foi repassado novamente as regras da confraria, as funções do presidente, foram tratados alguns assuntos internos e as foram tomadas as definições da próxima reunião. Foi informado também que, devido ao sucesso da degustação no Capitão Barley e aos planos para repetir as degustações com público presente, não haverá mais convidados nas reuniões internas.

O presidente informou que, para dar sequência aos trabalhos ele poderia presidir também a próxima reunião, caso ninguém se voluntariasse para a função. Entretando o confrade Renato Maldonado se voluntariou e foi aceito pelos demais presentes. A data da próxima reunião ficou definida para dia 06/07/2017.

Na sequência foi justificado a escolha de aprofundar no universo Lager, para que todos possam ter uma compreensão melhor dos estilos desta família. O estilo escolhido para esta degustação foi o estilo Vienna Lager. Foi também explicado que a primeira cerveja não atendia o estilo, porém foram selecionadas três cervejas Vienna Lager e todas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Na quinta reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Burgman Casanova – Specialty Beer
  • Da Mata Vienna Lager (7A)
  • Bierbaum Vienna (7A)
  • Hausen Vienna Lager (7A)

A avaliação dos confrades mostrou que as cervejas Vienna Lager apresentaram alto grau de aceitação e avaliação. Com uma vantagem a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a Hausen Vienna Lager, seguida de muito perto da Bierbaum Vienna.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 06/07/2017 e nosso próximo presidente será o Renato Maldonado.

Saúde e até lá!

Burgman Casanova

Características:

Cervejaria: Cervejaria Burgman
País: Brasil
Estilo: Specialty Beer
ABV: 5,2%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Lager

Descrição do Fabricante:

Uma Pale Lager, comUma Pale Lager, com uma receita especial de malte Pilsen e Viena, este que lhe confere leve adocicado e uma cor amarelo-dourada. A receita também conta com o dobro de lúpulo da lager tradicional graças a adição das variedades alemãs Magnum e Hersbrucker contribuindo para um amargor limpo, leve e refrescante. Além disso, essa cerveja passa pelo processo de dry-hopping (adição de lúpulo na cerveja maturada) do lúpulo Motueka, originário da Nova Zelândia que fornece aromas cítricos e herbais à cerveja, deixando-a ainda mais saborosa e extremamente aromática.

Considerações da Confraria:

A cerveja Burgman Casanova foi nossa primeira avaliada da noite, o motivo da presença da mesma é por ter apresentado, pelo menos nas descrições do marketing da Burgman, características aparentemente semelhantes à Vó Maria e seu Lado Zen. Aparências à parte a cerveja da Burgman não tem nada a ver com o destaque de nossa 1ª Degustação. A cerveja não possui aroma acentuado, frustando um pouco nossas expectativas devido ao “Dry-hopping”. É interessante porém leve e apresenta notas cítricas. Sua aparência é bastante turva, sugerindo o uso de uma levedura de baixa floculação. Corpo leve e boa formação de espuma com baixa retenção. Sabor com amargor moderadoporém refrescante. Corpo baixo porém foi possível notar uma certa adstringência no retro-gosto. Nossos confrades informaram, em sua maioria, que não comprariam esta cerveja porém beberiam novamente se lhe fosse oferecido enquanto que o confrade João informou que a compraria para consumo. A cerveja possui uma coloração considerada amarelo palha através do senso comum entre todos os confrades.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Caçula de 600 mL e seu rótulo é bem moderno, com um visual atraente e o nome da cerveja é identificado facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação dos novos rótulos ajuda a facilitar a identificação. Possui um texto de apresentação da cerveja, informação da temperatura ideal de consumo e os demais textos obrigatórios por lei. Contudo, para um rótulo que foi recentemente desenhado, deixa a desejar com a ausência de informações como: harmonização sugerida, o copo recomendado, nível de amargor. Importante ressaltar que o rótulo informa que o produto não deve ser ingerido por: quem está prestes a dirigir, quem é menor de 18 anos de idade e ainda informa que o produto contém glúten e cevada.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo moderno e bem projetado em uma garrafa tradicional com uma apresentação muito boa que chama a atenção ao olhar. Algumas informações estão presentes porém não são tão claras, rótulo com letras pequenas porém de fácil compreensão. Faltou informar o amargor (IBU) da cerveja, sugestão de harmonização e copo ideal.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 4,6
Aparência: 4,6
Sabor: 4,6
Sensação na boca: 5,1
Impressão Geral: 4,3
Média Geral: 4,6

Ficha de Avaliação

Da Mata Vienna Lager

Características:

Cervejaria: Cervejaria Da Mata
País: Brasil
Estilo: Vienna Lager (7A)
ABV: 4,9%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Lager

Descrição do Fabricante:

Cor acobreada, tem aroma de malte e leve dulçor, com notas tostadas, e suave amargor de lúpulo. Leve, refrescante e de final seco. Conforme o autor da receita, Alfredo Ferreira, do Instituto da Cerveja Brasil: “Foi criada para preencher uma lacuna no mercado nacional. A Vienna Lager é um estilo pouco explorado por aqui, e com grande potencial de crescimento. Ela apresenta como principal característica um excelente equilíbrio entre notas de malte com suave tosta e lúpulos nobres no aroma e sabor”.

Considerações da Confraria:

A cerveja Da Mata Vienna Lager foi nossa segunda avaliada da noite. Aroma de malte levemente adocicado com baixo lúpulo. Na aparêcia a coloração cobre chamou bastante atenção apesar de levemente turva com boa formação de uma espuma bege característica e de baixa retenção. Sabor com amargor baixo, remete a malte e caramelo. Nossos confrades informaram, em sua maioria, que comprariam esta cerveja para consumo exceto o confrade Kim informou que não beberia a cerveja novamente.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é interessante. Tem um visual limpo com motivos tribais (acredito eu) e o nome da cerveja é identificado facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação por cores ajuda a identificar facilmente o estilo. Possui um texto de apresentação da cerveja, um texto falando sobre equilíbrio e um QR Code com uma playlist do Spotify sugerida e os demais textos obrigatórios por lei. Contudo o rótulo deixa a desejar com a ausência de informações básicas como: temperatura ideal de consumo, harmonização sugerida, o copo recomendado e nível de amargor. Importante ressaltar que o rótulo informa que o produto não deve ser ingerido por: quem está prestes a dirigir e quem é menor de 18 anos de idade.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de com tema tribal, limpo e bem desenhado em uma garrafa de boa apresentação que chama a atenção ao olhar. Apesar da graduação alcoólica estar informada, algumas informações básicas foram deixadas de lado. O responsável pelo design poderia ter priorizado informações que realmente são interessantes, como: amargor, harmonização, temperatura ideal de consumo, copo sugerido. O texto sobre equílibrio é completamente irrelevante e o QR Code para localizar a playlist no Spotify não funcionou por ser muito pequeno.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,1
Aparência: 7,7
Sabor: 7,2
Sensação na boca: 6,6
Impressão Geral: 6,9
Média Geral: 7,1

Ficha de Avaliação

Parte Final – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

Aqui estamos nós com a quarta e última parte desta história. Semana passada pudemos entender um pouco melhor os tempos sombrios que sondaram a indústria cervejeira do início do século 20. Vimos também como os fatos históricos contribuiram para o nascimento de gigantes, mas e no Brasil, o que rolou?

Controle de Portugal

Dois fatores contribuiram muito para o início tardio de produção de cervejas no Brasil. O primeiro fator foi o fechamento dos portos em toda costa brasileira para navios que não fossem portugueses. Esta proibição teve validade até 1808, fazendo com que novos produtos e tecnologias não chegassem ao Brasil. Outro fator que contribuiu para a chegada tardia da cerveja ao Brasil era que os portugueses temiam que a produção de cerveja impactasse o lucrativo negócio de importação de vinhos portugueses.

Somente em 1853 é que o colono alemão Henrique Kremer produziu a primeira cerveja em território tupiniquim. A cerveja de Kremer é a Bohêmia, que existe até hoje e atualmente pertence à gigante ABInbev.

Mas foi com a proclamação da república em 1889 que as primeira indústrias emergiram no Brasil. As cervejas brasileiras daquela época possuiam um alto grau de fermentação e produziam uma quantidade imensa de gás carbônico. Mesmo depois de engarrafadas, estas cervejas ainda produziam gás carbônico, causando um enorme aumento de pressão. Para conter a pressão as rolhas eram então amarradas com um barbante para impedir que as mesmas saltassem da garrafa. Esta é a origem da “Cerveja Barbante”.

Não existem muitos registros sobre as primeiras cervejarias nacionais, pois as cervejas geralmente eram produzidas e vendidas em barris sem identificação de marca. Os dois pólos industriais da época que iniciaram a produção de cerveja foram os estados do Rio de Janeiro e Pernambuco. O primeiro era muito desenvolvido para a época e era comparado a cidades européias e o segundo recebeu influência da colonização holandesa. É sabido que as primeiras marcas nacionais foram: Logos, Guarda Velha, Gabel, Vesosso, Stampa, Olinda e Leal.

Um ano crucial na história da cerveja brasileira foi 1882, quando Louis Bucher e Joaquim Salles fundaram a Antarctica, que atualmente é a terceira cerveja mais consumida no país. Já o imigrante suíço Joseph Villiger começou a fazer a própria cerveja em casa com o nome de Brahma e, junto com Paul Fritz e Ludwig Mack, em Setembro de 1888, começou sua companhia com 32 empregados e produzindo 12.000 litros de cerveja.

O Brasil ocupa hoje a terceira posição em volume de produção de cerveja no mundo. Chegamos ao fim de mais uma história com muitos detalhes sobre este líquido que a maioria aprecia. Deixem seus comentários, correções, dúvida e teremos o prazer em falar com vocês.

Saúde e um ótimo final de semana.

Parte 3 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

Fala pessoal, aqui estamos nós com a terceira parte desta história. Como falamos na semana passada a cerveja lager começou cedo a ser difundida para o mundo, porém os cervejeiros também desbravaram fronteiras e foram parar no mundo novo. No final do século 19 eles estavam se adaptando e aplicando ingredientes locais, mas…

Dias Sombrios

O início do século foi bastante complicado, tanto no mundo novo como no velho mundo. A primeira guerra mundial isolou a Europa de 1914 até 1918 e suas consequências resultaram em escassez por décadas, levando até mesmo a próspera Alemanha à ruína econômica.

Em 1920 os EUA implantaram as leis que proibiam a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas, uma medida que acabou com a indústria cervejeira americana em um único golpe. Esses 13 anos de proibição tiveram um efeito devastador na indústria cervejeira americana, no entanto, algumas poucas cervejarias conseguiram sobreviver fabricando uma cerveja sem álcool (ABV inferior a 0,5%) denominada Near Beer.

Para completar, em 1939 a segunda guerra mundial colocou a Europa em agitação novamente e, mesmo com o tratado de paz e após a resolução dos conflitos em 1945, o efeito econômico ressoaria até o final do século XX.

Na América, a indústria cervejeira ficou estéril durante o período da proibição e demorou um bom tempo para a recuperação do que havia sobrado.

Nascimento de Gigantes

Contudo, as poucas empresas que resistiram se viram em um mercado com poucos concorrentes uma nação sedenta. Essas condições eram ideais para o aumento da produção industrial, porém aumentar a produção significava reduzir custos e aumentar o potencial de lucros, mas também traziam uma série de desafios técnicos. Embora uma cerveja lager possa parecer simples, quaisquer falhas são facilmente percebidas o que deixa pouca margem para falhas e erros. Outro problema era a consistência, a diferença de sabor entre bateladas não é um problema para uma produção em pequena escala, porém para uma cerveja que possui distribuição global a consistência é fundamental. Isto siginifica que as modernas lagers são extremamente dependentes de cervejeiros experientes e equipamentos de precisão.

No entanto, ao final do século 20, estes obstáculos técnicos já haviam sido resolvidos. Nos anos 70 e 80 as cervejarias multinacionais estavam em plena expansão, comprando e adquirindo cervejarias menores para formar conglomerados com enormes portfólios de marcas. A maior de todas é a Anheuser-Busch Inbev, formada pela americana Anheuser-Busch, pela belga Interbrew e pela brasileira Ambev. A ABInbev produz cerca de 25% de toda cerveja consumida no mundo, teve um faturamento de 36 bilhões de dólares em 2010 e possui mais de 200 marcas incluindo: Budweiser, Brahma, Corona, Stella Artois, Leffe, Hoegaarden, Spaten, Quilmes, Skol e muitas outras.

Também imensas temos a SAB Miller, Heineken, Carlsberg e Molson Coors. A grande maioria das cervejas consumidas no mundo hoje é produzida por uma destas empresas. A  humilde Pilsner percorreu um longo caminho desde suas origens na Bavária e é hoje um produto produzido em escala industrial por todo globo e está presente em quase todos os cantos.

Não importa onde estejamos, haverá sempre uma oferta de lager local no bar mais próximo.

Na próxima semana contaremos a última parte desta história, contemplando a chegada da cerveja em terras brasileiras.

Saúde.

Parte 2 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

Semana passada falamos sobre a descoberta da fermentação no frio e sobre o amadurecimento dos processos de maltagem. Continuamos nossa história esta semana falando sobre a popularização da Lager e como ela se tornou disponível no mundo todo.

Fica mais fácil de entender a história se alguns eventos paralelos forem conhecidos. Desta forma, para começar, temos que falar um pouco sobre…

Copos e Canecos

É estranho para nós, que vivemos em um mundo moderno e temos acesso fácil a copos de vidro, imaginar que no início do século 19 estes itens eram artigo de luxo e de acesso somente aos mais abastados. Naquela época os copos eram feitos de madeira, metal, argila, cerâmica ou até mesmo couro endurecido. É sabido que a cerveja também não possuia uma aparência agradável e era escura e muito turva. Mas a indústria de vidro realmente se desenvolveu em meados do século 19, tornando os copos de vidro muito mais acessíveis à população. Tudo isto aconteceu com o surgimento das cervejas lagers claras, o que contribuiu muito na popularização do líquido dourado e transparente criado por Josef Groll em sua “Pale Lager”.

Aurora das Exportações

O novo estilo Pilsener possuía sabor marcante, refrescante e, melhor de tudo, era mais fácil de armazenar e possuia prazo de validade mais longo que as Ales tradicionais. Isto significava que as Pilsener podiam ser bebidas durante todo o ano ao invés de sazonalmente.

Tudo isso estava acontecendo no auge da revolução industrial e, com a era do vapor e o aumento da disponibilidade de transporte de longo alcance, o estilo se tornou muito popular em quase toda Europa, com as cervejarias Alemãs fazendo ótimo uso de maltes claros. E, desta forma, o mercado de exportação para as cervejarias estava acordando. Com os avanços em refrigeração e melhor entendimento das culturas de leveduras e com o evento da Pasteurização, o palco estava pronto para espalhar as cervejas lager para o mundo todo. E foi um Dinamarquês quem primeiro isolou e nomeou uma cepa de leveduras responsável pelas Lagers, o microbiologista Emil Christian Hansen, que isolou a Saccharomyces Carlsbergensis enquanto trabalhava para a conhecida cervejaria dinamarquesa Carlsberg. A Carlsberg foi pioneira na exportação de Lagers, pois estava geograficamente beneficiada para transporte marítimo. Sua exportação de cerveja foi iniciada em 1868 e ela continua famosa até hoje. Os Holandeses também iniciaram suas exportações cedo, com a Heineken iniciando as exportações em 1873 e a Grolsch em 1897. A cidade industrial de Dortmund, na Alemanha, também veio a ficar famosa pelas exportações de lagers com a Dortmunder Export, uma cerveja inspirada na Pilsener porém com sabor mais suave, influenciado pela baixa quantidade de sais minerais na água local.

Mundo Novo

Mas não eram apenas as cervejas que estavam sendo exportadas, pois os imigrantes alemães que vieram para a América trouxeram todo seu conhecimento em fazer cervejas para o mundo novo. E no decorrer no século 19 várias novas cervejarias se estabeleceram na América em uma indústria forjada nos moldes das cervejarias européias. A cervejaria Yuengling é a cervejaria mais antiga, e ainda em operação, nos EUA e foi fundada em 1823 por um imigrante alemão, David Yuengling. Frederick Miller fundou sua cervejaria em 1855, Joseph Schlitz em 1858, Adolph Coors em 1873, todos decendentes de alemães.

Em 1860, um outro alemão, Eberhard Anheuser assumiu a propriedade de uma cervejaria que estava à beira da falência e, com o casamento sua filha com Adolphus Busch, deu início às operações da cervejaria Anheuser-Busch, que iniciou a produção de uma cerveja no estilo Pilsener da Boêmia. Para homenagear a cidade Tcheca de Budweis eles deram o nome da cerveja de Budweiser, que atualmente é a cerveja mais popular da América. Mas os habitantes da cidade de Budweis não apreciaram a homenagem e não gostam de comentar, mas eles possuem a sua própria Budweiser Budvar (conhecida por aqui como Czechvar).

No final do século 19, a indústria cervejeira americana estava lutando para conseguir alcançar o estilo alemão tradicional de pilsener se utilizando de ingredientes locais, pois os ingredientes provenientes da Europa não chegavam em volume suficiente para atender à demanda, possuiam altos custos agregados pelo frete marítimo e a qualidade não era lá essas coisas.

Entrento dias sombrios estavam por vir, mas contaremos mais detalhes na próxima semana.

Saúde!

Parte 1 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

O tema escolhido em nossa 1ª Degustação, que aconteceu no último dia 27/04/2017 no Capitão Barley, foi “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager”.  Mas por que escolhemos este tema? Qual foi a nossa proposta com esta escolha?

Escolhemos este tema porque Lager é o estilo de cerveja mais popular do mundo e por estas cervejas serem produzidas em escala industrial de milhões de hectolitros por empresas que valem bilhões. A nossa proposta foi a de agregar conhecimento e fazer com que nosso público possa entender um pouco da história deste estilo e porque ele se tornou tão popular. Mas finalmente, o que é Lager? De onde ela vêm? Por que é tão popular?

Em primeiro lugar vamos esclarecer a termilogia: Lager é um estilo de cerveja. Podemos dizer que toda Lager é uma cerveja mas não podemos dizer o contrário. E, para contar esta história apropriadamente, temos que iniciar esclarecendo que existem também as Ales (pronuncia-se eils). A diferença entre estas duas famílias está nas leveduras. As leveduras de Ale, ou Saccharomyces Cerevisiae, são leveduras de fermentação de topo. Isto significa que toda atividade de fermentação ocorre no topo da coluna de líquido (ou mosto). Outra característica desta levedura é que ela somente fermenta a cerveja em uma faixa de temperatura mais amena, cerca de 15 a 24 ºC.

Desta forma, tradicionalmente, a produção de cervejas era uma atividade sazonal pois somente era viável produzir cervejas em certas épocas do ano. No entanto existem outras cepas de leveduras e, para algumas delas, quanto mais frio melhor. Estas cepas de levedura resistentes ao frio apareceram nas cervejarias da Alemanha, pois no início do século 19 a população tinha o hábito de armazenar o alimento, incluindo a cerveja, em cavernas de gelo nos Alpes para prevenir a deterioração. Esta técnica de armazenamento cedeu o nome para o estilo Lager, pois Armazenamento em Alemão é LAGERung.

As pessoas que se utilizavam destas técnicas de armazenamento notaram que as cervejas armazenadas no frio apresentavam corpo mais leve e sabor mais seco e sutil. O açúcar era mais atenuado e o resultado era uma cerveja menos adocicada. A técnica Alemã levou ao descobrimento das leveduras resistentes ao frio, a Saccharomyces Pastorianus. Estas leveduras também ficaram conhecidas como levedura de fermentação de fundo, ou seja, toda atividade de fermentação ocorre no fundo da coluna de líquido (ou mosto). E as cervejas resultantes desta fermentação no frio eram chamadas de Lagers.

Contudo, as Lagers daquela época eram bem diferentes dos produtos comerciais que conhecemos atualmente. O malte de cevada era muito mais escuro, pois o processo de maltagem utilizado na Alemanha do século 19 não conseguia produzir um malte claro e saboroso. E estas primeiras versões escuras de Lagers originaram uma variedade de estilos que eram comumente chamadas de German Dunkels na Alemanha ou Tmavé Pivo na Bavária (atual República Tcheca).

Gabriel Sedlmayr

Entre 1820 e 1830, um cervejeiro iniciante chamado Gabriel Sedlmayr, viajou pelas regiões produtoras de cervejas na Europa para aprimorar seus conhecimentos sobre cerveja e ficou um tempo considerável no Reino Unido e da Bélgica, onde ele aprendeu novas técnicas de maltagem que produziam um malte muito mais claro, que era a base das Pale Ale britânicas. A produção de um malte mais claro era obtida utilizando-se um processo de queima indireta e lenta. Sua família era responsável pela cervejaria Spaten, na Bavária, e quando Sedlmayr retornou de sua incursão pela Europa, ele aplicou os conhecimentos adquiridos para obter uma cerveja mais estável e consistente. Porém a cerveja Lager da Bavária ainda era muito diferente do que conhecemos hoje como cerveja Lager, pois devido ao uso de maltes escuros as cervejas eram bem pretas, representando o que hoje é chamado de cerveja Dunkel ou uma variedade mais forte, a cerveja Bock.

A nova receita de cerveja lager “melhorada” se espalhou rapidamente pela Europa. Em particular, um amigo de Sedlmayr, Anton Dreher, foi quem primeiro adotou as novas técnicas de maltagem que possibilitaram a criação de uma “Pale Lager”.

Anton Dreher

Em 1840, o cervejeiro austríaco Anton Dreher desenvolveu um estilo de cerveja muito mais claro, de cor cobre-avermelhado, que foi a Schwechater Lagerbier. Este era um novo estilo de cerveja que requeria uma temperatura fria estável para maturação e armazenamento. Originalmente ele chamou a cerveja de Märtzen, ou cerveja de Março, porque a água era mais gelada e ainda havia gelo disponível. Em 1858 a Lager do Anton Dreher a medalha de ouro por excelência no Beer Exhibit em Viena. Mas a maior honraria ocorreu em 26 de novembro de 1861, quando o imperador Franz Joseph I visitou a cervejaria e concedeu a Anton Dreher a Cruz do Cavaleiro (Knight’s Cross) da Ordem de Franz Joseph.

Em 1862 ele recebeu a medalha de ouro da Feira Mundial de Paris e sua cerveja passou a ser conhecida como Viena Lager. A cervejaria Dreher hoje pertence à SABMiller.

O fato que nos interessa entretanto é que, com a melhora no controle do processo de cozimento do malte de cevada, foi possível obter cervejas mais claras e, consequentemente, mais leves. A cerveja clara elaborada por Anton Dreher foi determinante na solidificação do uso do termo Lager para as cervejas fermentadas no frio. As cervejas claras que bebemos hoje em dia possuem sua origem na região da Boêmia, por um caminho que vai da Inglaterra à Bavária.

Porque Pilsen?

Na primeira metade do século 19, os cidadãos da cidade de Pilsen, Boêmia (atual República Tcheca) não estavam satisfeitos com a cerveja fermentada por leveduras do tipo Ale devido à sua baixa qualidade e curta vida útil de armazenamento, tanto que eles esvaziaram publicamente vários barris de cerveja a fim de chamar a atenção. Assim, foi decidido pelo conselho municipal construir uma nova cervejaria, capaz de produzir uma cerveja do estilo lager que possuia uma vida útil mais prolongada. Na época, este estilo era chamado de cerveja da Bavária, pois este processo de fabricação de cerveja no frio se tornou popular nesta região e o clima na Boêmia é semelhante ao da Bavária, tornando possível armazenar gelo do inverno e permitir a fermentação durante todo o ano.

A cerveja da bavária tinha uma reputação excelente, e os cervejeiros da região eram considerados os principais mestres cervejeiros da época. Assim, os cidadãos de Pilsen, não só construíram uma nova fábrica de cerveja, mas também, em 1839, contrataram Josef Groll, um cervejeiro bávaro, para administrá-la. O pai de Josef Groll era dono de uma cervejaria em Vilshofen, na Baixa Bavária e havia muito tempo que experimentavam formular novas receitas de cerveja lager. Nesta época o processo de maltagem já havia progredido bastante e havia disponibilidade maltes realmente claros. Em 5 de outubro de 1842, Groll produziu o primeiro lote da cerveja Urquell , que ficou caracterizada pela utilização de leveduras lager, água mole da região (água com poucos sais minerais), malte claro, e lúpulo Saaz, que era produzido na cidade de Žatec, e proporcionou o efeito preservativo e amargor em adição a um distinto sabor terroso e de ervas. Assim nasceu a primeira cerveja Pilsner do mundo, a Pilsner Urquell. E este estilo de cerveja acabou sendo nominado em homenagem à cidade que a fez primeiro, Pilsen.

Não perca: na próxima semana publicaremos a segunda parte desta história.

Saúde!

 

1ª Degustação Chug-a-Lug

Data: 27/Abril/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Alessandro Montoya, Renato Maldonado e Rodrigo Menossi.

Convidado: Cezar Pereira.

Tema: Da Bavária ao Brasil – Uma viagem Lager

Público: 47 pessoas

Presidente: Marco Jordan

A apresentação foi iniciada pelo presidente pontualmente às 20:00 com uma breve apresentação introdutória da Confraria Chug-a-Lug ao público participante. Foram apresentadas as regras da Confraria, foi explicado brevemente o que fazemos em nossas reuniões internas e foram feitos os agradecimentos especiais ao Capitão Barley, à Cervejaria Avós e à Cervejaria Hausen por terem dado apoio e suporte para a realização da degustação.

Por volta das 20:15 a sessão passou para o confrade Alexandre Fornazari que conduziu o Bate-papo: O mundo Lager. Neste bate-papo, diferentemente das reuniões internas em que algum assunto técnico é tratado, foi contada a história da cerveja Lager, seu descobrimento, amadurecimento e difusão para todo o mundo até a chegada ao Brasil, se tornando o estilo de cerveja mais popular do mundo. Esta história será contada em publicações neste blog nas próximas semanas.

Após o término do Bate-papo foram servidos os maltes: Pilsen, Cara Gold e Café e os lúpulos: Saaz, Hallertau Hersbrucker e Citra para que os presentes pudessem experimentar os mesmos e facilitar a identificação de tais ingredientes quando a degustação fosse feita. A degustação foi iniciada logo após o término da degustação de ingredientes  bate-papo e o Presidente da Reunião, Marco Jordan, apresentou formalmente aos presentes sobre suas pesquisas e o motivo da escolha do tema e da seleção de cervejas. O presidente concluiu que o universo das cervejas Lager é muito grande e pouco conhecido, por isso resolveu fazer a degustação do estilo. Foram selecionadas quatro cervejas Lager e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os presentes.

Esta foi nossa primeira experiência com público participante (não confrades) e nossa avaliação geral foi muito positiva. Foi muito gratificante poder compartilhar conhecimento, aprender com outras pessoas, ouvir suas opiniões e agregar um pouco de valor para uma coisa que somos todos apaixonados. Podem aguardar que iremos repetir a dose.

Pra finalizar fizemos a degustação de quatro cervejas, sendo que as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Cerveja Czechvar – Czech Premium Pale Lager (3B)
  • Hacker-Pschorr – Pale Kellerbier (7C)
  • Vó Maria e seu Lado Zen – American Lager (1B)
  • Hausen Dunkel – Schwarzbier (8B)

Todas as cervejas foram muito premiadas mas queremos dar enfase especial às duas brasileiras.

  • A Cervejaria Avós com sua “Vó Maria e seu Lado Zen” que foi quem recebeu a medalha de ouro em Blumenau 2017 no estilo American Lager. Como mencionado pelo cervejeiro Junior Bottura na apresentação da cerveja aos presente, a premiação foi uma agradável surpresa pois ele considerava a categoria extremamente difícil por ter havido grandes cervejas inscritas. Para se ter uma ideia a medalha de prata na mesma categoria foi para a Dama American Lager e a medalha de bronze foi para a Kirin Ichiban, jogo duro mas vencido, parabéns Junior pelas cervejas e nossos agradecimentos pela sua participação especial.
  • A Cervejaria Hausen Bier com sua cerveja Hausen Dunkel que recebeu a medalha de ouro 2016 no World Beer Awards (WBA) tanto no estilo quanto como melhor Lager do Mundo, além da medalha de ouro em 2016 para o estilo no Festival Brasileiro da Cerveja. A cervejaria de Araras, no interior de São Paulo, foi fundada por dois Engenheiros de Alimentos e a cervejaria segue a linha mais tradicionalista, como o Reinheitsgebot, ou simplesmente Lei da Pureza Alemã, de 1516, onde a cerveja deve ser feita com apenas água, malte de cevada e lúpulo (ainda não se tinha conhecimento das leveduras na época). Parabéns ao Leandro e ao André pelo carinho que produzem suas cervejas, todas muito boas. Recomendo.

E a vencedora da noite, na opinião dos presentes, foi a Vó Maria e seu Lado Zen. A Cerveja recebeu duas notas máximas em todos os quesitos, dadas por José Antônio Bachur e por Carlos Rodrigues.

A próxima reunião da confraria será definida nos próximos dias e será interna (somente confrades).

Saúde!

Degustação de Cervejas no Capitão Barley

Descrição do evento

A Confraria Chug-a-Lug nasceu com objetivo de reunir pessoas interessadas na cultura cervejeira e de oferecer experiências de degustação voltados para a disseminação da cultura cervejeira.
Somos um grupo de amigos que se encontram e desejam realizar novas experiências, acrescentando conhecimento e troca de informações com outras pessoas com a mesma vontade: deixar de lado, nem que por um momento, a correria de suas profissões ou da cobrança excessiva de resultados, para praticar uma atividade de lazer e, ao mesmo tempo, gratificante.
Na Confraria Chug-a-Lug os trabalhos são feitos de forma coletiva, sempre incluindo um bate papo técnico e a sessão de degustação. Como forma de crescimento pessoal, os participantes se reúnem para realizar as degustações e trocar ideias, aproveitando também momentos de relaxamento de suas obrigações diárias e troca de experiências com pessoas interessadas na cultura cervejeira.
Novidades: 4ª Reunião
Com o objetivo de abrir espaço para que “não” confrades tomem parte de nossas degustações, iniciamos nesta 4ª Reunião, com os convidados participantes. Desta forma outros apaixonados por cerveja podem participa e contribuir com seu conhecimento além de validar as conclusões.
Outra novidade importante é que está é a nossa primeira reunião itinerante e em um dos mais reconhecidos bares de cervejas especiais de São Paulo, o Capitão Barley.
Programa da Noite:
Seguindo o tema da noite “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager” apresentaremos o seguinte:
  • Bate-papo Técnico: uma breve história da cerveja Lager
  • Bate-papo Técnico: conhecendo alguns ingredientes
  • Degustação de 4 rótulos, incluindo 150 ml de cada cerveja e avaliação das cervejas degustadas.
Contaremos com a presença do Júnior Bottura da Avós Cerveja Artesanal apresentado a cerveja medalha de ouro na categoria American Style Pilsener: Vó Maria e seu lado Zen. Não perca esta oportunidade!
 
Saúde.

 

Terceira Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 16/Março/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Ricardo Valência e Rodrigo Menossi.
Chug-a-luggers Ausentes: Alessandro Montoya e Renato Maldonado.

Convidados: Antônio dos Santos e Fernando A. Gomes.

Presidente: Ricardo Valência

A reunião foi iniciada às 20:00 com um Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Neste bate-papo foi feita uma apresentação muito breve sobre mosto cervejeiro e o processo de “ramp up“. Nossos convidados teceram alguns questionamentos sobre a influência da água utilizada e o resultado na qualidade das cervejas. Foi explicado que o mosto cervejeiro deve ser feita com a água mais ácida, com pH entre 4,5 e 5,5 e que a dureza da água também influencia o resultado da cerveja.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Ricardo Valência, apresentou formalmente os convidados aos confrades e pediu que eles falassem um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência o Ricardo falou um pouco aos presentes sobre suas pesquisas e degustações realizadas para a seleção e para a apresentação de cervejas. Ele concluiu que o universo das Pale Ale é muito grande e resolveu fazer a degustação novamente do estilo, dando continuidade à segunda reunião. Foram selecionadas quatro cervejas do estilo e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Assim como nas primeira e segunda reuniões, surgiram dúvidas sobre ésteres, fenóis, formato do colarinho etc. Interessante comentar que uma das garrafas da Insana estava contaminada pois, assim que a tampa foi removida, a espuma começou a ser liberada pela boca da garrafa, o que me fez suspeitar de contaminação que foi confirmada pelo aroma, gosto e aspecto da cerveja. Esta foi uma experiência interessante, pois os confrades e os convidados tiveram a oportunidade de sentir as diferenças entre uma cerveja boa e uma cerveja contaminada. Vale notar que as garrafas de SUD também ameaçaram espumar ao serem abertas, porém ao chegar na extremidade a espuma parava e não escorria pela garrafa. Eu imagino que isso tenha ocorrido em função do “dry-hopping” feito nesta cerveja.

Fizemos a degustação de quatro cervejas, porém compramos cerveja para 17 pessoas (estávamos em 10 pessoas) degustar e, ao término da degustação todos exageraram e beberam todas garrafas. Temos que corrigir e comprar o suficiente para degustação somente, afinal de contas o objetivo é beber com qualidade e não em quantidade.

Na terceira reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Insana – Pale Ale (10A)
  • Primator English Pale Ale (8C)
  • SUD Pale Ale (8B)
  • Fuller’s London Pride (8B)

Surpreendentemente a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a SUD Pale Ale. Agora a grande surpresa mesma foi que tivemos a nossa primeira avaliação Chug-A-Lug, pois a SUD Pale Ale tirou nota máxima em todas os critérios para o nosso convidado Toninho.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 27/04/2017 e nosso próximo presidente será o Marco Jordan.

Saúde e até lá!