Parte 2 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

Semana passada falamos sobre a descoberta da fermentação no frio e sobre o amadurecimento dos processos de maltagem. Continuamos nossa história esta semana falando sobre a popularização da Lager e como ela se tornou disponível no mundo todo.

Fica mais fácil de entender a história se alguns eventos paralelos forem conhecidos. Desta forma, para começar, temos que falar um pouco sobre…

Copos e Canecos

É estranho para nós, que vivemos em um mundo moderno e temos acesso fácil a copos de vidro, imaginar que no início do século 19 estes itens eram artigo de luxo e de acesso somente aos mais abastados. Naquela época os copos eram feitos de madeira, metal, argila, cerâmica ou até mesmo couro endurecido. É sabido que a cerveja também não possuia uma aparência agradável e era escura e muito turva. Mas a indústria de vidro realmente se desenvolveu em meados do século 19, tornando os copos de vidro muito mais acessíveis à população. Tudo isto aconteceu com o surgimento das cervejas lagers claras, o que contribuiu muito na popularização do líquido dourado e transparente criado por Josef Groll em sua “Pale Lager”.

Aurora das Exportações

O novo estilo Pilsener possuía sabor marcante, refrescante e, melhor de tudo, era mais fácil de armazenar e possuia prazo de validade mais longo que as Ales tradicionais. Isto significava que as Pilsener podiam ser bebidas durante todo o ano ao invés de sazonalmente.

Tudo isso estava acontecendo no auge da revolução industrial e, com a era do vapor e o aumento da disponibilidade de transporte de longo alcance, o estilo se tornou muito popular em quase toda Europa, com as cervejarias Alemãs fazendo ótimo uso de maltes claros. E, desta forma, o mercado de exportação para as cervejarias estava acordando. Com os avanços em refrigeração e melhor entendimento das culturas de leveduras e com o evento da Pasteurização, o palco estava pronto para espalhar as cervejas lager para o mundo todo. E foi um Dinamarquês quem primeiro isolou e nomeou uma cepa de leveduras responsável pelas Lagers, o microbiologista Emil Christian Hansen, que isolou a Saccharomyces Carlsbergensis enquanto trabalhava para a conhecida cervejaria dinamarquesa Carlsberg. A Carlsberg foi pioneira na exportação de Lagers, pois estava geograficamente beneficiada para transporte marítimo. Sua exportação de cerveja foi iniciada em 1868 e ela continua famosa até hoje. Os Holandeses também iniciaram suas exportações cedo, com a Heineken iniciando as exportações em 1873 e a Grolsch em 1897. A cidade industrial de Dortmund, na Alemanha, também veio a ficar famosa pelas exportações de lagers com a Dortmunder Export, uma cerveja inspirada na Pilsener porém com sabor mais suave, influenciado pela baixa quantidade de sais minerais na água local.

Mundo Novo

Mas não eram apenas as cervejas que estavam sendo exportadas, pois os imigrantes alemães que vieram para a América trouxeram todo seu conhecimento em fazer cervejas para o mundo novo. E no decorrer no século 19 várias novas cervejarias se estabeleceram na América em uma indústria forjada nos moldes das cervejarias européias. A cervejaria Yuengling é a cervejaria mais antiga, e ainda em operação, nos EUA e foi fundada em 1823 por um imigrante alemão, David Yuengling. Frederick Miller fundou sua cervejaria em 1855, Joseph Schlitz em 1858, Adolph Coors em 1873, todos decendentes de alemães.

Em 1860, um outro alemão, Eberhard Anheuser assumiu a propriedade de uma cervejaria que estava à beira da falência e, com o casamento sua filha com Adolphus Busch, deu início às operações da cervejaria Anheuser-Busch, que iniciou a produção de uma cerveja no estilo Pilsener da Boêmia. Para homenagear a cidade Tcheca de Budweis eles deram o nome da cerveja de Budweiser, que atualmente é a cerveja mais popular da América. Mas os habitantes da cidade de Budweis não apreciaram a homenagem e não gostam de comentar, mas eles possuem a sua própria Budweiser Budvar (conhecida por aqui como Czechvar).

No final do século 19, a indústria cervejeira americana estava lutando para conseguir alcançar o estilo alemão tradicional de pilsener se utilizando de ingredientes locais, pois os ingredientes provenientes da Europa não chegavam em volume suficiente para atender à demanda, possuiam altos custos agregados pelo frete marítimo e a qualidade não era lá essas coisas.

Entrento dias sombrios estavam por vir, mas contaremos mais detalhes na próxima semana.

Saúde!

1ª Degustação Chug-a-Lug

Data: 27/Abril/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Alessandro Montoya, Renato Maldonado e Rodrigo Menossi.

Convidado: Cezar Pereira.

Tema: Da Bavária ao Brasil – Uma viagem Lager

Público: 47 pessoas

Presidente: Marco Jordan

A apresentação foi iniciada pelo presidente pontualmente às 20:00 com uma breve apresentação introdutória da Confraria Chug-a-Lug ao público participante. Foram apresentadas as regras da Confraria, foi explicado brevemente o que fazemos em nossas reuniões internas e foram feitos os agradecimentos especiais ao Capitão Barley, à Cervejaria Avós e à Cervejaria Hausen por terem dado apoio e suporte para a realização da degustação.

Por volta das 20:15 a sessão passou para o confrade Alexandre Fornazari que conduziu o Bate-papo: O mundo Lager. Neste bate-papo, diferentemente das reuniões internas em que algum assunto técnico é tratado, foi contada a história da cerveja Lager, seu descobrimento, amadurecimento e difusão para todo o mundo até a chegada ao Brasil, se tornando o estilo de cerveja mais popular do mundo. Esta história será contada em publicações neste blog nas próximas semanas.

Após o término do Bate-papo foram servidos os maltes: Pilsen, Cara Gold e Café e os lúpulos: Saaz, Hallertau Hersbrucker e Citra para que os presentes pudessem experimentar os mesmos e facilitar a identificação de tais ingredientes quando a degustação fosse feita. A degustação foi iniciada logo após o término da degustação de ingredientes  bate-papo e o Presidente da Reunião, Marco Jordan, apresentou formalmente aos presentes sobre suas pesquisas e o motivo da escolha do tema e da seleção de cervejas. O presidente concluiu que o universo das cervejas Lager é muito grande e pouco conhecido, por isso resolveu fazer a degustação do estilo. Foram selecionadas quatro cervejas Lager e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os presentes.

Esta foi nossa primeira experiência com público participante (não confrades) e nossa avaliação geral foi muito positiva. Foi muito gratificante poder compartilhar conhecimento, aprender com outras pessoas, ouvir suas opiniões e agregar um pouco de valor para uma coisa que somos todos apaixonados. Podem aguardar que iremos repetir a dose.

Pra finalizar fizemos a degustação de quatro cervejas, sendo que as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Cerveja Czechvar – Czech Premium Pale Lager (3B)
  • Hacker-Pschorr – Pale Kellerbier (7C)
  • Vó Maria e seu Lado Zen – American Lager (1B)
  • Hausen Dunkel – Schwarzbier (8B)

Todas as cervejas foram muito premiadas mas queremos dar enfase especial às duas brasileiras.

  • A Cervejaria Avós com sua “Vó Maria e seu Lado Zen” que foi quem recebeu a medalha de ouro em Blumenau 2017 no estilo American Lager. Como mencionado pelo cervejeiro Junior Bottura na apresentação da cerveja aos presente, a premiação foi uma agradável surpresa pois ele considerava a categoria extremamente difícil por ter havido grandes cervejas inscritas. Para se ter uma ideia a medalha de prata na mesma categoria foi para a Dama American Lager e a medalha de bronze foi para a Kirin Ichiban, jogo duro mas vencido, parabéns Junior pelas cervejas e nossos agradecimentos pela sua participação especial.
  • A Cervejaria Hausen Bier com sua cerveja Hausen Dunkel que recebeu a medalha de ouro 2016 no World Beer Awards (WBA) tanto no estilo quanto como melhor Lager do Mundo, além da medalha de ouro em 2016 para o estilo no Festival Brasileiro da Cerveja. A cervejaria de Araras, no interior de São Paulo, foi fundada por dois Engenheiros de Alimentos e a cervejaria segue a linha mais tradicionalista, como o Reinheitsgebot, ou simplesmente Lei da Pureza Alemã, de 1516, onde a cerveja deve ser feita com apenas água, malte de cevada e lúpulo (ainda não se tinha conhecimento das leveduras na época). Parabéns ao Leandro e ao André pelo carinho que produzem suas cervejas, todas muito boas. Recomendo.

E a vencedora da noite, na opinião dos presentes, foi a Vó Maria e seu Lado Zen. A Cerveja recebeu duas notas máximas em todos os quesitos, dadas por José Antônio Bachur e por Carlos Rodrigues.

A próxima reunião da confraria será definida nos próximos dias e será interna (somente confrades).

Saúde!

Degustação de Cervejas no Capitão Barley

Descrição do evento

A Confraria Chug-a-Lug nasceu com objetivo de reunir pessoas interessadas na cultura cervejeira e de oferecer experiências de degustação voltados para a disseminação da cultura cervejeira.
Somos um grupo de amigos que se encontram e desejam realizar novas experiências, acrescentando conhecimento e troca de informações com outras pessoas com a mesma vontade: deixar de lado, nem que por um momento, a correria de suas profissões ou da cobrança excessiva de resultados, para praticar uma atividade de lazer e, ao mesmo tempo, gratificante.
Na Confraria Chug-a-Lug os trabalhos são feitos de forma coletiva, sempre incluindo um bate papo técnico e a sessão de degustação. Como forma de crescimento pessoal, os participantes se reúnem para realizar as degustações e trocar ideias, aproveitando também momentos de relaxamento de suas obrigações diárias e troca de experiências com pessoas interessadas na cultura cervejeira.
Novidades: 4ª Reunião
Com o objetivo de abrir espaço para que “não” confrades tomem parte de nossas degustações, iniciamos nesta 4ª Reunião, com os convidados participantes. Desta forma outros apaixonados por cerveja podem participa e contribuir com seu conhecimento além de validar as conclusões.
Outra novidade importante é que está é a nossa primeira reunião itinerante e em um dos mais reconhecidos bares de cervejas especiais de São Paulo, o Capitão Barley.
Programa da Noite:
Seguindo o tema da noite “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager” apresentaremos o seguinte:
  • Bate-papo Técnico: uma breve história da cerveja Lager
  • Bate-papo Técnico: conhecendo alguns ingredientes
  • Degustação de 4 rótulos, incluindo 150 ml de cada cerveja e avaliação das cervejas degustadas.
Contaremos com a presença do Júnior Bottura da Avós Cerveja Artesanal apresentado a cerveja medalha de ouro na categoria American Style Pilsener: Vó Maria e seu lado Zen. Não perca esta oportunidade!
 
Saúde.

 

Terceira Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 16/Março/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Ricardo Valência e Rodrigo Menossi.
Chug-a-luggers Ausentes: Alessandro Montoya e Renato Maldonado.

Convidados: Antônio dos Santos e Fernando A. Gomes.

Presidente: Ricardo Valência

A reunião foi iniciada às 20:00 com um Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Neste bate-papo foi feita uma apresentação muito breve sobre mosto cervejeiro e o processo de “ramp up“. Nossos convidados teceram alguns questionamentos sobre a influência da água utilizada e o resultado na qualidade das cervejas. Foi explicado que o mosto cervejeiro deve ser feita com a água mais ácida, com pH entre 4,5 e 5,5 e que a dureza da água também influencia o resultado da cerveja.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Ricardo Valência, apresentou formalmente os convidados aos confrades e pediu que eles falassem um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência o Ricardo falou um pouco aos presentes sobre suas pesquisas e degustações realizadas para a seleção e para a apresentação de cervejas. Ele concluiu que o universo das Pale Ale é muito grande e resolveu fazer a degustação novamente do estilo, dando continuidade à segunda reunião. Foram selecionadas quatro cervejas do estilo e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Assim como nas primeira e segunda reuniões, surgiram dúvidas sobre ésteres, fenóis, formato do colarinho etc. Interessante comentar que uma das garrafas da Insana estava contaminada pois, assim que a tampa foi removida, a espuma começou a ser liberada pela boca da garrafa, o que me fez suspeitar de contaminação que foi confirmada pelo aroma, gosto e aspecto da cerveja. Esta foi uma experiência interessante, pois os confrades e os convidados tiveram a oportunidade de sentir as diferenças entre uma cerveja boa e uma cerveja contaminada. Vale notar que as garrafas de SUD também ameaçaram espumar ao serem abertas, porém ao chegar na extremidade a espuma parava e não escorria pela garrafa. Eu imagino que isso tenha ocorrido em função do “dry-hopping” feito nesta cerveja.

Fizemos a degustação de quatro cervejas, porém compramos cerveja para 17 pessoas (estávamos em 10 pessoas) degustar e, ao término da degustação todos exageraram e beberam todas garrafas. Temos que corrigir e comprar o suficiente para degustação somente, afinal de contas o objetivo é beber com qualidade e não em quantidade.

Na terceira reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Insana – Pale Ale (10A)
  • Primator English Pale Ale (8C)
  • SUD Pale Ale (8B)
  • Fuller’s London Pride (8B)

Surpreendentemente a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a SUD Pale Ale. Agora a grande surpresa mesma foi que tivemos a nossa primeira avaliação Chug-A-Lug, pois a SUD Pale Ale tirou nota máxima em todas os critérios para o nosso convidado Toninho.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 27/04/2017 e nosso próximo presidente será o Marco Jordan.

Saúde e até lá!

Insana Pale Ale

Características:

Cervejaria: Cervejaria Insana
País: Brasil
Estilo: American Pale Ale (10A)
ABV: 5,5%
Temperatura de consumo: 4 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Cerveja de alta fermentação tem como destaque sua coloração intensa e seus aromas cítricos provenientes de uma seleção de lúpulos americanos. Ideal para acompanhar comida mexicana, carnes e queijos fortes.

É aconselhável apreciar esta cerveja utilizando um copo pint.

Aroma: Frutas cítricas tipo maracuja, laranja e tangerina com um traço de malte seco.
Paladar: Leve maltado contrastando a traços citricos e um amargor final muito agradável.
Copo Ideal: Pint.
IBU: 35.

Considerações da Confraria:

A cerveja Insana Pale Ale foi nossa primeira avaliada da noite, com opiniões ligeiramente discrepantes, mas com avaliações variando entre bom e excelente. Interessante notar que uma das garrafas abertas estava contaminada o que foi proveitoso no sentido dos confrades e convidados poderem experimentar as sensações de aroma e paladar de uma cerveja contaminada. Nosso convidado Toninho, que já possui experiência em degustações, a considerou uma cerveja excepcional por ser bem fiel ao informado pelo marketing da empresa. Enquanto isso, nossos confrades Jordan e Marcelo, atribuiram as notas mais baixas sendo que o primeiro informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido enquanto que o Marcelo informou que a compraria para consumo. A cerveja possui uma coloração considerada ambar através do senso comum entre todos os confrades.

Embalagem:

Este quesito não foi devidamente registrado pelos confrades nem pelos convidados mas vários comentários foram tecidos sobre a embalagem. A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é bem clássico sendo que o nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação do rótulo apenas pelas cores também ajuda a facilitar a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a proveniência da cerveja, passa um pouco as características da cidade de Palmas, PR com referência ao clima, altitude e água,  possui ainda o texto de apresentação da cerveja, sua harmonização sugerida, o copo recomendado, os ingredientes, armazenamento, a composição e os demais textos obrigatórios por lei. Importante ressaltar que o contra-rótulo apresenta bem claramente que o produto não deve ser ingerido por: quem está prestes a dirigir, quem é menor de 18 anos de idade e não recomendado para mulheres grávidas.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico em uma garrafa elegante resultam em uma apresentação muito boa que agrada ao olhar. As informações estão presentes e são claras, rótulo e contra-rótulo de fácil leitura e compreensão. Na minha opinião faltou apenas informar o amargor (IBU) da cerveja.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,2
Aparência: 7,0
Sabor: 7,2
Sensação na boca: 7,4
Impressão Geral: 7,5
Média Geral: 7,2

Ficha de Avaliação

Primátor English Pale Ale

Características:

Cervejaria: Pivovar Náchod
País: República Tcheca
Estilo: Extra Special Bitter English Pale Ale (8C)
ABV: 5,0%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Tradução: Nossa Pale Ale é uma cerveja de alta fermentação, produzida a partir de malte de cevada com uma pequena quantidade de trigo maltado e também de milho não maltado, o qual raramente é utilizado para a fabricação de cerveja, mesmo na Inglaterra. A cerveja é fabricada utilizando tecnologia de infusão e tem uma cor âmbar escura com um caráter de malte arredondado. O estilo é caracterizado pelo seu rico aroma lupulado e sabor amargo, específico de lúpulos originalmente britânicos, que são mais intensos em comparação com lúpulo Žatec, e seu aroma único de grama deixa um sabor seco ligeiramente amargo no paladar. Esta variedade incomum de lúpulo fornece à cerveja uma característica de leveza e frescor que é típico para o estilo. Seu aroma único deixa um sabor seco ligeiramente amargo no paladar. O aroma desta cerveja é mais fraco em comparação com as lagers da República Tcheca.

Original: Our Pale Ale is a top-fermented beer, produced from barley malt with a small amount of colored malted wheat and also from unmalted corn, which is rarely used for brewing even in England. The beer is brewed using infusion technology and has a dark amber color with a rounded malty character. Pale Ale is characterized by its rich hoppy aroma and specific bitter taste of original British hops, which are rougher in comparison with Žatec hops, and their unique grassy aroma leaves a dry slightly bitter aftertaste on the palate. This unusual hoppy variety provides the Ale with its characteristic lightness, freshness and head, which is typical for English Ale. The tang of this beer is weaker in comparison with Czech lagers.

Considerações da Confraria:

A cerveja Primátor English Pale Ale foi nossa segunda avaliada da noite, com opiniões mais uniformes que a nossa primeira degustada. Nosso presidente da noite, Ricardo Valência, a considerou uma cerveja excepcional e a pontuação da cerveja segundo ele foi 9 em uma escala de zero a dez . Mais uma vez nosso confrade Marco Jordan, atribuiu a nota mais baixa (4,2) e informou, junto com outras duas pessoas que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. A cerveja possui uma coloração considerada ambar e espuma bege, é bem límpida e a espuma é de formação média com retenção de baixa para média.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Alemã de 500 mL e seu rótulo é bonito mas com pouca informação. O fundo é a bandeira da Inglaterra, remetendo ao estilo da cerveja e o nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. Além do país de origem e da região da cervejaria não existem mais informações no rótulo. A graduação alcoólica é apresentada no contra-rótulo, porém o texto está escrito em idioma nativo. A etiqueta transcrevendo informações obrigatórias em português contra-rótulo, elaborada pela Dmm Imp. & Exp. Importacao E Exportacao Ltda, informa o nome da cerveja, a graduação alcoólica, o volume da embalagem, os ingredientes, a cervejaria e outras informações que são exigidas por lei.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo agradável em uma garrafa tradicional resultam em uma apresentação razoável que agrada ao olhar, porém com poucas informações. Algumas informações estão presentes porém não são claras, rótulo pobre de informação e contra-rótulo no idioma de origem. Etiqueta bastante incompleta de difícil leitura. A lista de ingredientes está incompleta pois, se a cerveja leva milho não malteado na composição, deveria ser informado a presença de “cereais não-malteados”. Faltou também informar o amargor (IBU) da cerveja, sua harmonização, o copo recomendado, o nome do importador (é apresentado apenas o CNPJ) e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 7,4
Sabor: 7,6
Sensação na boca: 7,0
Impressão Geral: 7,0
Média Geral: 7,4

Ficha de Avaliação

Sud Pale Ale

Características:

Cervejaria: Cervejaria Sudbräu
País: Brasil
Estilo: Special Premium Bitter Ale (8B)
ABV: 4,8%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Uma cerveja de alta fermentação de cor bronze. Se caracteriza pela presença de ésteres frutados e com notas herbáceas dos lúpulos ingleses utilizados no dry hopping. Elaborada com blend de lúpulos de médio amargor. Medianamente encorpada com sabor e aroma de malte com final seco.

Considerações da Confraria:

A cerveja Sud Special Bitter Pale Ale foi nossa terceira avaliada da noite e surpreendeu a todos e as avaliações refletiram a agradável surpresa. Um detalhe que chamou a atenção foi que tivemos a impressão de haver alguma contaminação na cerveja, pois a maioria das garrafas, à medida que iam sendo abertos, apresentavam uma formação de espuma que subia até a boca da garrafa, porém parava por ali. Reservei as que apresentaram tal comportamento e servi algumas em que este comportamento não se apresentou. Depois servi a mim mesmo com o conteúdo das duas garrafas e comparei, sendo que não notei diferenças e pude concluir que não havia, de fato, contaminação. Acredito que tal comportamento seja em função do “dry-hopping”. Novamente nosso convidado Toninho deu as maiores notas para a cerveja, sendo que tivemos nossa primeira nota máxima (10) em uma avaliação, que consideramos uma nota Chug-a-Lug. Mais uma vez nosso exigente confrade Marco Jordan atribuiu a nota mais baixa (6,4) e, além do nosso convidado Fernando, foi o único confrade que informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. A cerveja possui uma coloração ambar, intenso aroma de lúpulo, amargor médio e é possível identificar pequenas partículas em suspensão no líquido bem transparente, que acredito que seja lúpulo (e também a origem a espuma ao abrir as garrafas), o senso comum foi que a cerveja é bastante fiel ao descrito pela empresa.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é clássico e bem limpo, parecendo que foi feito artesanalmente. O nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação do rótulo apenas pelas caixa de estilo (em vermelho nesta cerveja) dificulta um pouco a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a proveniência da cerveja, a descrição apresentada neste post, os ingredientes, armazenamento, a composição, informações da cerveja (amargor, cor, malte e aroma) segundo critério da própria empresa (tornando possível sua comparação apenas com produtos da mesma empresa) e os demais textos obrigatórios por lei.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico, bonito e agradável em uma garrafa elegante resultam em uma apresentação muito boa que agrada ao olhar. As informações estão presentes e são claras, rótulo e contra-rótulo de fácil leitura e compreensão. Na minha opinião faltou apenas informar parâmetros da cerveja segundo critérios já estabelecidos e não critérios próprios, por exemplo: IBU no lugar de Amargor com três estrelas. Faltou também informar a harmonização sugerida, o copo recomendado e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 8,3
Aparência: 7,6
Sabor: 8,4
Sensação na boca: 7,6
Impressão Geral: 8,1
Média Geral: 8,1

Ficha de Avaliação

Fuller’s London Pride

Características:

Cervejaria: Fuller’s
País: Inglaterra
Estilo: Special Premium Bitter Ale (8B)
ABV: 4,7%
Temperatura de consumo: 8 – 12 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Não apenas a cerveja icônica da capital, London Pride é um caso de amor de todos os britânicos que une uma nação de bebedores de cerveja. É fabricado com variedades de lúpulo inteiramente caseiras – sendo o Target para amargor e os lúpulos Northdown, Challenger e Goldings para aroma – mas a alma da cerveja está inquestionavelmente no malte. Maltes cristal combinam-se com as variedades de maltes Pale Ale – Concerto e Propino – colhidos na primavera para dar a esta cerveja sua inimitável profundidade e equilíbrio.

Esta cerveja Premium Ale de cor castanho-avermelhado empresta notas de uva doce, biscoito e frutas secas do malte cristal, enquanto que os aromas das ervas frescas de pinha emanam do lúpulo. Rico, suave e elegante no paladar, ela leva a um acabamento limpo e satisfatório com amargor bem equilibrado.

Original: Not just the iconic ale of the capital, London Pride is an all-British affair that unites a nation of beer drinkers. It’s brewed with entirely home-grown hop varieties – Target for bittering and Northdown, Challenger and Goldings for aroma – but the soul of the beer is unquestionably in the malt. Crystal malts combine with spring-harvested Pale Ale varieties Concerto and Propino, to give Pride its inimitable depth and balance.
This tawny-coloured premium ale borrows sweet raisin, biscuit and dried-fruit notes from the Crystal malt, while fresh, piney herbs emanate from the hops. Rich, smooth and elegant on the palate, it draws to a clean, satisfying finish with beautifully balanced bitterness.

Considerações da Confraria:

A cerveja Fuller’s London Pride foi nossa última avaliada da noite e também surpreendeu a todos por seu contraste com Sud Pale Ale. Na terceira cerveja da noite o destaque foi o lúpulo devido ao processo de “dry-hopping” enquanto que nesta última o destaque realmente são os maltes. De aroma e paladar muito agradáveis a cerveja remete a um biscoito doce com leve toque de frutas secas. O aroma é muito equilibrado e sua cor ambar escuro muito límpida. O colarinho é de média formação e média retenção e a cor bege foi a que foi identificada pelos nossos confrades e convidados. Desta vez o nosso confrade Gustavo Samogim atribuiu a nota mais baixa (6,4) e somente o nosso confrade Kim que informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. O senso comum foi que a cerveja é muito gostosa.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa Customizada da Fuller’s de 500 mL e seu rótulo é clássico e bem limpo. O nome da cervejaria e o nome da cerveja são identificados facilmente. Os rótulos são únicos e exclusivos, o que facilita a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a graduação alcoólica, o volume de cerveja, a proveniência da cerveja e os ingredientes em diversos idiomas incluindo português. Os demais textos obrigatórios por lei estão em uma etiqueta da importadora Boxer do Brasil Representações Ltda.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico, bonito e agradável em uma garrafa elegante com uma apresentação muito boa e exclusiva. As informações entretanto não estão presentes no rótulo porém são claras no contra-rótulo. A leitura e compreensão não é muito fácil e requer atenção devido aos diverso idiomas nesta garrafa de exportação. Faltou informar o amargor, a harmonização sugerida, o copo recomendado e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 8,2
Sabor: 8,0
Sensação na boca: 6,8
Impressão Geral: 8,0
Média Geral: 7,8

Ficha de Avaliação

Monges Cervejeiros: Trapistas

São Bento

São Bento

O que vem a ser uma cerveja Trapista? Ou seria melhor perguntar: o que vem a ser um produto Trapista? Pergunta difícil de responder sem conhecimento da história mas a resposta curta (que não esclarece nada) é: são os produtos autorizados pela ITA – International Trappist Association – a utilizarem o selo de “Authentic Trappist Product“.

Mas acho que vale a pena contar um pouco de história para ilustrar melhor. A Ordem Trapista é uma congregação religiosa católica derivada da Ordem Cisterciense. Os trapistas são monges beneditinos cenobitas, isto é, vivem em comunidade, o que os difere dos religiosos de vida solitária. A origem desta ordem remonta à fundação da Abadia de Cister, na comuna de Saint-Nicolas-lès-Cîteaux, Borgonha, em 1098. Congregações Cistercienses se espalharam por todos os lados e, em 1664, o ábade da abadia cisterciense de Nôtre-Dame de la Trappe sentiu que os monges cistercienses estavam ficavam demasiadamente liberais. Ele introduziu então novas e estritas regras na abadia e a Estrita Observância ali nasceu. Desde então muitas regras foram relaxadas, entretanto, o princípio fundamental de que os monastérios devam ser auto-suficientes é mantido até hoje.

Abadia de La Trappe

Abadia de La Trappe em Soligny-La-Trappe, França

“Trapista” é um “apelido” da “Ordem Cisterciense da Estrita Observância” (existe também os monges da Ordem Cisterciense da Comum Observância). Este apelido nasceu justamente do fato de que seu primeiro mosteiro foi a Abadia de La Trappe em Soligny-La-Trappe, conforme mencionado. Não tem nada a ver com “trapos” ou que seriam monges “esfarrapados”, um “mito” acerca dos trapistas.

Outro mito a respeito dos trapistas é que eles seriam uma Ordem Religiosa nascida numa suposta crise de papel na Idade Média. O Papa, preocupado, teria organizado um conjunto de religiosos que iriam de “casa em casa recolhendo pedaços de pano para a confecção de papel e livros”, sendo que estes monges teriam criado o cargo de monge copista. Os copistas sempre existiram no monaquismo ocidental e nunca foram uma “invenção trapista”.

As Cervejarias Trapistas

Cervejarias Monásticas, de diferentes ordens religiosas, existem em toda Europa desde a idade média. No início da ordem Trapista, a cerveja era produzida nos monastérios cistercienses franceses seguindo a Estrita Observância. Por exemplo, o monastério de La Trappe já possuia sua própria cervejaria em 1685.

Embora os monges vivessem uma vida solitária de trabalho e oração eles acreditavam na hospitalidade e na caridade. Os monastérios eram reconhecidos como locais de refúgio seguro para viajantes que buscavam um local limpo com comidas e bebidas decentes. Os monges cultivavam ou negociavam sua comida e faziam suas próprias bebidas, assim cerveja e vinho estavam sempre disponíveis nos mosteiros. Na época, a água era insalubre e continha toda uma série de doenças. O ato de fazer a cerveja sanitizava a água e adicionava à bebida uma série de outros nutrientes importantes, portanto a cerveja (e o vinho) eram seguros para serem bebidos e eram uma parte importante da dieta diária das pessoas.

Em 820, o monastério de Saint-Gall (ou Saint-Gallen) projetou o que se tornaria o modelo para as cervejarias monásticas medievais. O projeto contemplava a construção da cervejaria em três ciclos completos de brassagem de cerveja: uma para fabricar cervejas para ser vendida a clientes e viajantes, uma para fazer a cerveja dos monges e outra para fazer cerveja para os pobres (cerveja de caridade). Cada ciclo produzia uma qualidade diferente de cerveja, sendo que cerveja de caridade era feita com insumos menos desejáveis.

Monge brassando cerveja

Monge medieval brassando cerveja

A descoberta de que era possível passar a água através dos grãos (mash) várias vezes para extrair o máximo dos grãos doi documentada pela primeira vez pelos cervejeiros jesuítas, que ofereciam uma cerveja com alto de teor alcoólico (em torno de 5%) para os viajantes e usavam a cerveja de segunda passagem (ou segundo ciclo) com um teor alcoólico menor (em torno de 2,5%) para si mesmos. O próximo grande passo veio quando eles perceberam que as pessoas pagariam muito mais por uma cerveja mais forte, mais do que o custo do grão extra. Isso permitiu que fossem feitas cervejas com mais grãos e com mais ciclos. O primeiro ciclo resultava na melhor cerveja, portanto, esta iria para os convidados e era vendida para ajudar a manter a abadia. A cerveja resultante do segundo ciclo era para o uso dos monges. Enquanto que as cervejas produzidas pelos últimos ciclos seriam para os pobres. Esta é também a origem provável dos termos “single”, “double”, “triple” e “quadruple”.

Esta tradição de auto-suntentabilidade juntamente com a hospitalidade continuou na Bélgica enquanto os Trapistas se espalhavam por toda Europa no rescaldo da Revolução Francesa e das Guerras Napoleônicas. Visto que os monges não conseguiam cultivar uvas para vinho de forma eficaz e que os países baixos (Bélgica e Holanda) eram dominados pela culturas dominadas pela cerveja, os mosteiros recém estabelecidos focaram na cerveja como a forma de manter suas abadias.

Esta tradição de auto-sustentação, juntamente com a hospitalidade continuou na Bélgica como o “Trappists” espalhados por toda a Europa no rescaldo da Revolução Francesa e as Guerras Napoleónicas. Uma vez que os monges não podiam realmente cultivar uvas para vinho de forma eficaz, e as terras baixas (Bélgica e Países Baixos) eram culturas dominadas pela cerveja, os mosteiros recém-estabelecidos focaram na cerveja como forma de manter suas abadias.

O próximo grande passo na qualidade começou no início do século 20. Com a enchente de cervejas de baixo teor alcoólico as cervejas estrangeiras começaram a ganhar uma fatia de mercado na Bélgica. Cervejarias estavam falindo em ritmo acelerado. A reação das cervejarias Trapistas, neste momento, foi dar um passo adiante e oferecer cervejas com maior teor alcoólico e paladar mais saboroso do que as cervejas concorrentes. Isso também foi exacerbado pela lei de 1919 que proibia as vendas de bebidas alcoólicas em bares belgas. Os Trapistas estavam preparados para aproveitar esta lei. Sem uma opção de bebidas de alto teor alcoólico, os clientes voltaram-se para as cervejas de maior teor alcoólico, principalmente as feitas pelos monges. À medida que mais cervejarias saíam do negócio, a demanda pela cerveja dos monges crescia constantemente, enquanto que outras alternativas saíam do mercado. Embora sendo em grande parte conservadores em relação à mudanças, os monges foram rápidos para adotar novas técnicas e equipamentos mais modernos para garantir que a qualidade do sua cerveja melhorasse continuamente. Os monges acreditam que, uma vez que eles trabalham essencialmente para Deus e em seu nome, eles devem fazer o melhor produto possível. Este tem sido o princípio motriz ao longo da história das ordens monásticas.

Produto TrapistaÀ medida que as cervejas Trapistas cresciam em fama e popularidade, alguns cervejeiros não-Trapistas começaram usar o termo “Trapista.” Os monges finalmente recorreram à uma ação legal em 1962 e, como resultado, em 1997, os mosteiros trapistas belgas (6 mosteiros), holandês (1) e alemão (1) formaram a ITA – “International Trappist Association”. Eles criaram um logotipo especial que só pode ser usado pelos mosteiros trapistas nos produtos que eles produzem. Isso inclui queijo, pão, vinho, cerveja ou qualquer outra coisa que estes mosteiros venham a produzir.

As regras que regem os direitos legalmente protegidos de usar o logo no rótulo são:

  1. A cerveja deve ser fabricada dentro das paredes de um mosteiro Trapista e ser “preparada por” ou “ser supervisionada” pelos monges.
  2. A cervejaria deve ter uma importância secundária e estar sujeita a práticas comerciais proporcionais às de uma vida monástica.
  3. A cervejaria não deve visar lucros. O dinheiro é para ser usado para pagar a manutenção do monastério e seus monges. Qualquer excesso de dinheiro deve ser usado para os empreendimentos de caridade do monastério.
  4. A qualidade das cervejas está sujeita à inspeção da qualidade.

Desde 2014 existem 11 cervejarias Trapistas reconhecidas que podem usar o logo da ITA (e vários outros que usam o rótulo em outros produtos – veja a lista da ITA aqui):

Cervejarias Trapistas Reconhecidas pela ITA
Cervejaria Localização Desde Nome Comercial
Brasserie de Rochefort  Belgium 1595 Rochefort
Brouwerij der Trappisten van Westmalle  Belgium 1836 Westmalle
Brouwerij Westvleteren/St Sixtus  Belgium 1838 Westvleteren
Bières de Chimay  Belgium 1863 Chimay
Brasserie d’Orval  Belgium 1931 Orval
Brouwerij der Sint-Benedictusabdij de Achelse Kluis  Belgium 1998 Achel
Brouwerij de Koningshoeven  Netherlands 1884 La Trappe
Stift Engelszell  Austria 2012 Gregorius e Benno
St. Joseph’s Abbey in Spencer, Massachusetts  United States 2013 Spencer
Brouwerij Abdij Maria Toevlucht  Netherlands 2014 Zundert
Tre Fontane Abbey  Italy 2014 Tre Fontane

Os Mosteiros Trapistas no Brasil

Sim, os Trapistas estão presentes no Brasil. Apesar de não haver produção de cervejas a Ordem Cisterciense da Estrita Observância possui dois mosteiros instalados por aqui, são eles:

  • Abadia Trapista Nossa Senhora do Mundo Novo – Campo do Tenente, PR
  •  Mosteiro Trapista Nossa Senhora da Boa Vista – Rio Negrinho, SC

Além destes a congregação conta ainda na América do Sul com dois mosteiros na Argentina, dois no Chile, dois na Venezuela e dois no Equador. Agora resta esperar que algum destes comece a produzir cerveja mais perto de nós.

Saúde!

Referências:

A verdadeira história do surgimento da IPA

Fala Galera,

Em nossa última reunião da Confraria surgiu o assunto sobre estilos e entre eles o estilo IPA. Pergunta inevitável, alguém me questionou sobre a origem do estilo e eu contei a já conhecida história de que o estilo nasceu da necessidade de se colocar muito lúpulo para preservar a cerveja quando esta era transportada por navios para a Índia, de maneira a alimentar o mercado local para os colonizadores Britânicos. Ao final da história eu informei a todos que alguém já havia me informado que esta história não era verdadeira, mas que eu não conhecia a outra versão.

Bem, resolvi pesquisar e descobri que a história é na realidade muito mais interessante. E raciocinando bem, é fácil concluir que a versão simplificada realmente não é plausível e não se sustenta por si só, afinal os Britânicos, durante o período de colonização dá Índia, enviavam Porters para a colônia e estas chegavam lá em perfeito estado de consumo.

O termo Pale Ale originalmente era utilizado para uma cerveja em que se havia utilizado um malte claro. As Pale Ales do início do século 18 eram ligeiramente lupuladas e bastante diferentes das Pale Ales de hoje. Em meados do século 18, a maioria das cervejas Pale Ale eram feitas com malte produzido com carvão de coque, os quais produziam menos fumaça e torravam menos a cevada durante o processo de malteação e, desta maneira, produziam uma cerveja ainda mais clara. Uma das variedades da cerveja naquela época era a “October Beer“, uma Pale Ale bem mais lupulada e popular entre os aristrocratas, os quais produziam a mesma domesticamente. Uma vez produzida estas cervejas eram maturadas por dois anos.

Entre as primeiras cervejarias conhecidas a exportarem cerveja para a ìndia estava a George Hodgson’s Bow Brewery, na divisa entre Middlesex e Essex. As cervejas da Cervejaria Bow se tornaram popular entre os comerciantes da East India Company no final do século 18 devido a localização da cervejaria ser próxima das docas da East India Company e à linha de crédito liberal de Hodgson de 18 meses. Os navios transportavam as cervejas de Hodgson para a Índia e entre elas estava a “October Beer“, a qual se beneficiava excepcionalmente das condições da viagem e eram altamente apreciadas por seus consumidores na Índia. A Cervejaria Bow ficou sob o controle do filho de Hodgson no início do século 19, mas as suas práticas de negócios alienaram seus clientes. Durante o mesmo período, várias cervejarias de Burton perderam suas exportações para o mercado Russo, quando o Czar baniu o comércio com a Europa, e estavam procurando por um novo mercado para exportar suas cervejas.

A pedido da East India Company, a cervejaria Allsopp desenvolveu uma Pale Ale fortemente lupulada seguindo o estilo de Hodgson para que fosse exportada para a Índia. Outras cervejarias de Burton, incluindo a Bass e a Salt, estavam ansiosas para substituir o mercado de exportação Russo que haviam perdido e rapidamente seguiram os passos da Allsopp. Talvez como resultado das vantagens da qualidade da água de Burton para a cerveja, a Burton India Pale Ale era preferida pelos mercadores e seus clientes na Índia, mas a cerveja “October Beer” de Hodgson claramente influenciou os cervejeiros de Burton a produzirem as India Pale Ale.

A tentativa da cervejaria Charrington de enviar barris de “India Ale” para Madras (hoje Chennai) e Calcultá em 1827 foi um sucesso e um comércio regular surgiu com os principais agentes e revendores Britânicos: Griffiths & Co em Madras; Adam, Skinner and Co. em Mumbai e Bruce, Allen & Co. em Calcultá.

As primeiras IPA, como as das cervejarias de Burton ou a Hodgson, eram somente ligeiramente mais alcoólicas que a maioria das cervejas produzidas naquela época e não haviam sido consideradas como cervejas fortes.  No entanto, uma grande proporção do mosto era bem fermentada, deixando para trás algum açúcar residual, e a cerveja era fortemente lupulada. A versão comum de que as primeiras IPA eram muito mais fortes que as outras cervejas da época é, na verdade, um mito. Embora as IPAs eram formuladas para sobreviver longas viagens pelo mar melhor que outros estilos da época, as Porters também eram enviadas para a Índia e para a Califórnia com sucesso. Está claro que nos idos de 1860 as IPAs eram amplamente produzidas na Inglaterra e elas eram muito mais tênues e altamente lupuladas que Porters and muitas outras cervejas.

A demanda para a Pale Ale estilo exportação, que tinha se tornado conhecida como India Pale Ale, se desenvolveu na Inglaterra por volta de 1840 e a IPA se tornou um produto popular na Inglaterra. Algumas cervejarias abandonaram o termo “India” no final do século 19, mas os registros indicam que estas “Pale Ales” mantiveram as características das primeiras IPAs. Cervejarias americanas, australianas e canadenses produziram cervejas com o rótulo IPA após 1900, e os registros sugerem que estas cervejas eram similares às IPAs Inglesas da época.

Cervejas do estilo IPA começaram a ser exportadas por outras colônias Britânicas, como Austrália e Nova Zelândia, e nessa época muitas cervejarias removeram o “I” do “IPA” e chamaram as cervejas simplesmente de Pale Ales ou Export Pales. Muitas cervejarias, como a Kirkstall Brewery, enviaram grande quantidade de cervejas de exportação para o mundo todo através de navios à vapor para serem leiloadas a atacadistas locais.

Conclusão: é fato que as cervejas IPA eram formuladas para resistir a longa jornada de navio, contudo outros estilos eram enviados para a Índia e as cervejas chegavam próprias para consumo. O texto deixa claro que a origem do estilo na verdade foi a “October Beer” e a ansiedade das cervejarias de Burton de exportar para as Índias, imitando assim a “October Beer” da Hodgson.

Saúde.