Terceira Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 16/Março/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Ricardo Valência e Rodrigo Menossi.
Chug-a-luggers Ausentes: Alessandro Montoya e Renato Maldonado.

Convidados: Antônio dos Santos e Fernando A. Gomes.

Presidente: Ricardo Valência

A reunião foi iniciada às 20:00 com um Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Neste bate-papo foi feita uma apresentação muito breve sobre mosto cervejeiro e o processo de “ramp up“. Nossos convidados teceram alguns questionamentos sobre a influência da água utilizada e o resultado na qualidade das cervejas. Foi explicado que o mosto cervejeiro deve ser feita com a água mais ácida, com pH entre 4,5 e 5,5 e que a dureza da água também influencia o resultado da cerveja.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Ricardo Valência, apresentou formalmente os convidados aos confrades e pediu que eles falassem um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência o Ricardo falou um pouco aos presentes sobre suas pesquisas e degustações realizadas para a seleção e para a apresentação de cervejas. Ele concluiu que o universo das Pale Ale é muito grande e resolveu fazer a degustação novamente do estilo, dando continuidade à segunda reunião. Foram selecionadas quatro cervejas do estilo e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Assim como nas primeira e segunda reuniões, surgiram dúvidas sobre ésteres, fenóis, formato do colarinho etc. Interessante comentar que uma das garrafas da Insana estava contaminada pois, assim que a tampa foi removida, a espuma começou a ser liberada pela boca da garrafa, o que me fez suspeitar de contaminação que foi confirmada pelo aroma, gosto e aspecto da cerveja. Esta foi uma experiência interessante, pois os confrades e os convidados tiveram a oportunidade de sentir as diferenças entre uma cerveja boa e uma cerveja contaminada. Vale notar que as garrafas de SUD também ameaçaram espumar ao serem abertas, porém ao chegar na extremidade a espuma parava e não escorria pela garrafa. Eu imagino que isso tenha ocorrido em função do “dry-hopping” feito nesta cerveja.

Fizemos a degustação de quatro cervejas, porém compramos cerveja para 17 pessoas (estávamos em 10 pessoas) degustar e, ao término da degustação todos exageraram e beberam todas garrafas. Temos que corrigir e comprar o suficiente para degustação somente, afinal de contas o objetivo é beber com qualidade e não em quantidade.

Na terceira reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Insana – Pale Ale (10A)
  • Primator English Pale Ale (8C)
  • SUD Pale Ale (8B)
  • Fuller’s London Pride (8B)

Surpreendentemente a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a SUD Pale Ale. Agora a grande surpresa mesma foi que tivemos a nossa primeira avaliação Chug-A-Lug, pois a SUD Pale Ale tirou nota máxima em todas os critérios para o nosso convidado Toninho.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 27/04/2017 e nosso próximo presidente será o Marco Jordan.

Saúde e até lá!

Fuller’s London Pride

Características:

Cervejaria: Fuller’s
País: Inglaterra
Estilo: Special Premium Bitter Ale (8B)
ABV: 4,7%
Temperatura de consumo: 8 – 12 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Não apenas a cerveja icônica da capital, London Pride é um caso de amor de todos os britânicos que une uma nação de bebedores de cerveja. É fabricado com variedades de lúpulo inteiramente caseiras – sendo o Target para amargor e os lúpulos Northdown, Challenger e Goldings para aroma – mas a alma da cerveja está inquestionavelmente no malte. Maltes cristal combinam-se com as variedades de maltes Pale Ale – Concerto e Propino – colhidos na primavera para dar a esta cerveja sua inimitável profundidade e equilíbrio.

Esta cerveja Premium Ale de cor castanho-avermelhado empresta notas de uva doce, biscoito e frutas secas do malte cristal, enquanto que os aromas das ervas frescas de pinha emanam do lúpulo. Rico, suave e elegante no paladar, ela leva a um acabamento limpo e satisfatório com amargor bem equilibrado.

Original: Not just the iconic ale of the capital, London Pride is an all-British affair that unites a nation of beer drinkers. It’s brewed with entirely home-grown hop varieties – Target for bittering and Northdown, Challenger and Goldings for aroma – but the soul of the beer is unquestionably in the malt. Crystal malts combine with spring-harvested Pale Ale varieties Concerto and Propino, to give Pride its inimitable depth and balance.
This tawny-coloured premium ale borrows sweet raisin, biscuit and dried-fruit notes from the Crystal malt, while fresh, piney herbs emanate from the hops. Rich, smooth and elegant on the palate, it draws to a clean, satisfying finish with beautifully balanced bitterness.

Considerações da Confraria:

A cerveja Fuller’s London Pride foi nossa última avaliada da noite e também surpreendeu a todos por seu contraste com Sud Pale Ale. Na terceira cerveja da noite o destaque foi o lúpulo devido ao processo de “dry-hopping” enquanto que nesta última o destaque realmente são os maltes. De aroma e paladar muito agradáveis a cerveja remete a um biscoito doce com leve toque de frutas secas. O aroma é muito equilibrado e sua cor ambar escuro muito límpida. O colarinho é de média formação e média retenção e a cor bege foi a que foi identificada pelos nossos confrades e convidados. Desta vez o nosso confrade Gustavo Samogim atribuiu a nota mais baixa (6,4) e somente o nosso confrade Kim que informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. O senso comum foi que a cerveja é muito gostosa.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa Customizada da Fuller’s de 500 mL e seu rótulo é clássico e bem limpo. O nome da cervejaria e o nome da cerveja são identificados facilmente. Os rótulos são únicos e exclusivos, o que facilita a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a graduação alcoólica, o volume de cerveja, a proveniência da cerveja e os ingredientes em diversos idiomas incluindo português. Os demais textos obrigatórios por lei estão em uma etiqueta da importadora Boxer do Brasil Representações Ltda.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico, bonito e agradável em uma garrafa elegante com uma apresentação muito boa e exclusiva. As informações entretanto não estão presentes no rótulo porém são claras no contra-rótulo. A leitura e compreensão não é muito fácil e requer atenção devido aos diverso idiomas nesta garrafa de exportação. Faltou informar o amargor, a harmonização sugerida, o copo recomendado e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 8,2
Sabor: 8,0
Sensação na boca: 6,8
Impressão Geral: 8,0
Média Geral: 7,8

Ficha de Avaliação

A verdadeira história do surgimento da IPA

Fala Galera,

Em nossa última reunião da Confraria surgiu o assunto sobre estilos e entre eles o estilo IPA. Pergunta inevitável, alguém me questionou sobre a origem do estilo e eu contei a já conhecida história de que o estilo nasceu da necessidade de se colocar muito lúpulo para preservar a cerveja quando esta era transportada por navios para a Índia, de maneira a alimentar o mercado local para os colonizadores Britânicos. Ao final da história eu informei a todos que alguém já havia me informado que esta história não era verdadeira, mas que eu não conhecia a outra versão.

Bem, resolvi pesquisar e descobri que a história é na realidade muito mais interessante. E raciocinando bem, é fácil concluir que a versão simplificada realmente não é plausível e não se sustenta por si só, afinal os Britânicos, durante o período de colonização dá Índia, enviavam Porters para a colônia e estas chegavam lá em perfeito estado de consumo.

O termo Pale Ale originalmente era utilizado para uma cerveja em que se havia utilizado um malte claro. As Pale Ales do início do século 18 eram ligeiramente lupuladas e bastante diferentes das Pale Ales de hoje. Em meados do século 18, a maioria das cervejas Pale Ale eram feitas com malte produzido com carvão de coque, os quais produziam menos fumaça e torravam menos a cevada durante o processo de malteação e, desta maneira, produziam uma cerveja ainda mais clara. Uma das variedades da cerveja naquela época era a “October Beer“, uma Pale Ale bem mais lupulada e popular entre os aristrocratas, os quais produziam a mesma domesticamente. Uma vez produzida estas cervejas eram maturadas por dois anos.

Entre as primeiras cervejarias conhecidas a exportarem cerveja para a ìndia estava a George Hodgson’s Bow Brewery, na divisa entre Middlesex e Essex. As cervejas da Cervejaria Bow se tornaram popular entre os comerciantes da East India Company no final do século 18 devido a localização da cervejaria ser próxima das docas da East India Company e à linha de crédito liberal de Hodgson de 18 meses. Os navios transportavam as cervejas de Hodgson para a Índia e entre elas estava a “October Beer“, a qual se beneficiava excepcionalmente das condições da viagem e eram altamente apreciadas por seus consumidores na Índia. A Cervejaria Bow ficou sob o controle do filho de Hodgson no início do século 19, mas as suas práticas de negócios alienaram seus clientes. Durante o mesmo período, várias cervejarias de Burton perderam suas exportações para o mercado Russo, quando o Czar baniu o comércio com a Europa, e estavam procurando por um novo mercado para exportar suas cervejas.

A pedido da East India Company, a cervejaria Allsopp desenvolveu uma Pale Ale fortemente lupulada seguindo o estilo de Hodgson para que fosse exportada para a Índia. Outras cervejarias de Burton, incluindo a Bass e a Salt, estavam ansiosas para substituir o mercado de exportação Russo que haviam perdido e rapidamente seguiram os passos da Allsopp. Talvez como resultado das vantagens da qualidade da água de Burton para a cerveja, a Burton India Pale Ale era preferida pelos mercadores e seus clientes na Índia, mas a cerveja “October Beer” de Hodgson claramente influenciou os cervejeiros de Burton a produzirem as India Pale Ale.

A tentativa da cervejaria Charrington de enviar barris de “India Ale” para Madras (hoje Chennai) e Calcultá em 1827 foi um sucesso e um comércio regular surgiu com os principais agentes e revendores Britânicos: Griffiths & Co em Madras; Adam, Skinner and Co. em Mumbai e Bruce, Allen & Co. em Calcultá.

As primeiras IPA, como as das cervejarias de Burton ou a Hodgson, eram somente ligeiramente mais alcoólicas que a maioria das cervejas produzidas naquela época e não haviam sido consideradas como cervejas fortes.  No entanto, uma grande proporção do mosto era bem fermentada, deixando para trás algum açúcar residual, e a cerveja era fortemente lupulada. A versão comum de que as primeiras IPA eram muito mais fortes que as outras cervejas da época é, na verdade, um mito. Embora as IPAs eram formuladas para sobreviver longas viagens pelo mar melhor que outros estilos da época, as Porters também eram enviadas para a Índia e para a Califórnia com sucesso. Está claro que nos idos de 1860 as IPAs eram amplamente produzidas na Inglaterra e elas eram muito mais tênues e altamente lupuladas que Porters and muitas outras cervejas.

A demanda para a Pale Ale estilo exportação, que tinha se tornado conhecida como India Pale Ale, se desenvolveu na Inglaterra por volta de 1840 e a IPA se tornou um produto popular na Inglaterra. Algumas cervejarias abandonaram o termo “India” no final do século 19, mas os registros indicam que estas “Pale Ales” mantiveram as características das primeiras IPAs. Cervejarias americanas, australianas e canadenses produziram cervejas com o rótulo IPA após 1900, e os registros sugerem que estas cervejas eram similares às IPAs Inglesas da época.

Cervejas do estilo IPA começaram a ser exportadas por outras colônias Britânicas, como Austrália e Nova Zelândia, e nessa época muitas cervejarias removeram o “I” do “IPA” e chamaram as cervejas simplesmente de Pale Ales ou Export Pales. Muitas cervejarias, como a Kirkstall Brewery, enviaram grande quantidade de cervejas de exportação para o mundo todo através de navios à vapor para serem leiloadas a atacadistas locais.

Conclusão: é fato que as cervejas IPA eram formuladas para resistir a longa jornada de navio, contudo outros estilos eram enviados para a Índia e as cervejas chegavam próprias para consumo. O texto deixa claro que a origem do estilo na verdade foi a “October Beer” e a ansiedade das cervejarias de Burton de exportar para as Índias, imitando assim a “October Beer” da Hodgson.

Saúde.

Segunda Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 02/Fevereiro/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Ricardo Valência.
Chug-a-luggers Ausentes: Alessandro Montoya, Renato Maldonado e Rodrigo Menossi

Convidados: Anselmo Cimatti e Lotário Thum.

Presidente: Orlindo Martins
Relator: Ed Gomes

A reunião foi iniciada às 20:00 com um Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Neste bate-papo foram apresentadas as famílias de cervejas: Lagers, Ales e Lambics e o que as caracteriza. Também foram apresentados, de maneira a expor os confrades e convidados a alguns ingredientes cervejeiros, dois tipos de maltes (Cristal e Cara) e três tipos de lúpulos (Tettanger, Citra e Cascade).

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Orlindo Martins (Kim), falou um pouco aos presentes sobre suas pesquisas realizadas para a apresentação de cervejas do estilo Pale Ale. Como definido após a realização da primeira reunião, foram selecionadas quatro cervejas do estilo Pale Ale e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades.

Assim como na primeira reunião, novamente surgiram dúvidas sobre ésteres, fenóis, formato do colarinho etc. Nossos convidados teceram alguns comentários a respeito da água utilizada em algumas regiões do país e o resultado na qualidade das cervejas fabricadas nessas mesmas regiões.

Ao final da primeira reunião foi sugerido e acordado entre os confrades a redução de cinco para quatro cervejas a serem degustadas, e foi possível concluir ao final da segunda reunião que sim, quatro é o número ideal de cervejas para obter mais precisão nos sentidos para a avaliação das cervejas.

Na segunda reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Eisenbahn – Pale Ale (16B)
  • Sierra Nevada – Pale Ale (10A)
  • OPA Bier – Pale Ale (10A)
  • Ghost Ship (8C)

Embora a pontuação geral possa dar a impressão de que todas as cervejas sejam bastante parecidas, a cerveja eleita a melhor da noite foi a Adnams Ghost Ship com 7,5 pontos.

Até a próxima confraria.

Saúde!

Ghost Ship

Adnams Ghost Ship

Características:

Cervejaria: Adnams Brewery
País: Inglaterra
Estilo: Extra Special Bitter /English Pale Ale (8C)
ABV: 4,5%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante

A Ghost Ship é uma premiadíssima Pale Ale produzida na Inglaterra, mas que usa lúpulos americanos, como o Citra, para garantir um delicioso amargor cítrico, além de maltes especiais de cevada e centeio. Divertidamente inspirada no supostamente assombrado Pub da Adnams em Walberswick, cuja costa tem diversos destroços de antigos navios de contrabando! Ganhou a medalha de bronze no campeonato de cerveja da Grã Bretanha em 2016.

Considerações da Confraria:

Com as notas mais altas da segunda reunião da confraria Chug a Lug, certamente o troféu de melhor da noite vai para a cerveja Ghost Ship.

Pela avaliação dos confrades, a Ghost Ship pode ser considerada uma Pale Ale de aroma excelente, também com excelente aparência, sabor marcante, presença bastante perceptível dos maltes e lúpulos, e bom corpo, embora neste quesito considerarmos que ainda cabem melhorias. Foi unânime que todos os confrades comprariam para consumo próprio, realmente uma grande cerveja de coloração âmbar e colar de bom tamanho e boa persistência.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,9
Aparência: 8,5
Sabor: 6,9
Sensação na boca: 8,0
Impressão Geral: 7,4
Média Geral: 7,5

Ficha de Avaliação