Parte 2 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

Semana passada falamos sobre a descoberta da fermentação no frio e sobre o amadurecimento dos processos de maltagem. Continuamos nossa história esta semana falando sobre a popularização da Lager e como ela se tornou disponível no mundo todo.

Fica mais fácil de entender a história se alguns eventos paralelos forem conhecidos. Desta forma, para começar, temos que falar um pouco sobre…

Copos e Canecos

É estranho para nós, que vivemos em um mundo moderno e temos acesso fácil a copos de vidro, imaginar que no início do século 19 estes itens eram artigo de luxo e de acesso somente aos mais abastados. Naquela época os copos eram feitos de madeira, metal, argila, cerâmica ou até mesmo couro endurecido. É sabido que a cerveja também não possuia uma aparência agradável e era escura e muito turva. Mas a indústria de vidro realmente se desenvolveu em meados do século 19, tornando os copos de vidro muito mais acessíveis à população. Tudo isto aconteceu com o surgimento das cervejas lagers claras, o que contribuiu muito na popularização do líquido dourado e transparente criado por Josef Groll em sua “Pale Lager”.

Aurora das Exportações

O novo estilo Pilsener possuía sabor marcante, refrescante e, melhor de tudo, era mais fácil de armazenar e possuia prazo de validade mais longo que as Ales tradicionais. Isto significava que as Pilsener podiam ser bebidas durante todo o ano ao invés de sazonalmente.

Tudo isso estava acontecendo no auge da revolução industrial e, com a era do vapor e o aumento da disponibilidade de transporte de longo alcance, o estilo se tornou muito popular em quase toda Europa, com as cervejarias Alemãs fazendo ótimo uso de maltes claros. E, desta forma, o mercado de exportação para as cervejarias estava acordando. Com os avanços em refrigeração e melhor entendimento das culturas de leveduras e com o evento da Pasteurização, o palco estava pronto para espalhar as cervejas lager para o mundo todo. E foi um Dinamarquês quem primeiro isolou e nomeou uma cepa de leveduras responsável pelas Lagers, o microbiologista Emil Christian Hansen, que isolou a Saccharomyces Carlsbergensis enquanto trabalhava para a conhecida cervejaria dinamarquesa Carlsberg. A Carlsberg foi pioneira na exportação de Lagers, pois estava geograficamente beneficiada para transporte marítimo. Sua exportação de cerveja foi iniciada em 1868 e ela continua famosa até hoje. Os Holandeses também iniciaram suas exportações cedo, com a Heineken iniciando as exportações em 1873 e a Grolsch em 1897. A cidade industrial de Dortmund, na Alemanha, também veio a ficar famosa pelas exportações de lagers com a Dortmunder Export, uma cerveja inspirada na Pilsener porém com sabor mais suave, influenciado pela baixa quantidade de sais minerais na água local.

Mundo Novo

Mas não eram apenas as cervejas que estavam sendo exportadas, pois os imigrantes alemães que vieram para a América trouxeram todo seu conhecimento em fazer cervejas para o mundo novo. E no decorrer no século 19 várias novas cervejarias se estabeleceram na América em uma indústria forjada nos moldes das cervejarias européias. A cervejaria Yuengling é a cervejaria mais antiga, e ainda em operação, nos EUA e foi fundada em 1823 por um imigrante alemão, David Yuengling. Frederick Miller fundou sua cervejaria em 1855, Joseph Schlitz em 1858, Adolph Coors em 1873, todos decendentes de alemães.

Em 1860, um outro alemão, Eberhard Anheuser assumiu a propriedade de uma cervejaria que estava à beira da falência e, com o casamento sua filha com Adolphus Busch, deu início às operações da cervejaria Anheuser-Busch, que iniciou a produção de uma cerveja no estilo Pilsener da Boêmia. Para homenagear a cidade Tcheca de Budweis eles deram o nome da cerveja de Budweiser, que atualmente é a cerveja mais popular da América. Mas os habitantes da cidade de Budweis não apreciaram a homenagem e não gostam de comentar, mas eles possuem a sua própria Budweiser Budvar (conhecida por aqui como Czechvar).

No final do século 19, a indústria cervejeira americana estava lutando para conseguir alcançar o estilo alemão tradicional de pilsener se utilizando de ingredientes locais, pois os ingredientes provenientes da Europa não chegavam em volume suficiente para atender à demanda, possuiam altos custos agregados pelo frete marítimo e a qualidade não era lá essas coisas.

Entrento dias sombrios estavam por vir, mas contaremos mais detalhes na próxima semana.

Saúde!

Parte 1 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

O tema escolhido em nossa 1ª Degustação, que aconteceu no último dia 27/04/2017 no Capitão Barley, foi “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager”.  Mas por que escolhemos este tema? Qual foi a nossa proposta com esta escolha?

Escolhemos este tema porque Lager é o estilo de cerveja mais popular do mundo e por estas cervejas serem produzidas em escala industrial de milhões de hectolitros por empresas que valem bilhões. A nossa proposta foi a de agregar conhecimento e fazer com que nosso público possa entender um pouco da história deste estilo e porque ele se tornou tão popular. Mas finalmente, o que é Lager? De onde ela vêm? Por que é tão popular?

Em primeiro lugar vamos esclarecer a termilogia: Lager é um estilo de cerveja. Podemos dizer que toda Lager é uma cerveja mas não podemos dizer o contrário. E, para contar esta história apropriadamente, temos que iniciar esclarecendo que existem também as Ales (pronuncia-se eils). A diferença entre estas duas famílias está nas leveduras. As leveduras de Ale, ou Saccharomyces Cerevisiae, são leveduras de fermentação de topo. Isto significa que toda atividade de fermentação ocorre no topo da coluna de líquido (ou mosto). Outra característica desta levedura é que ela somente fermenta a cerveja em uma faixa de temperatura mais amena, cerca de 15 a 24 ºC.

Desta forma, tradicionalmente, a produção de cervejas era uma atividade sazonal pois somente era viável produzir cervejas em certas épocas do ano. No entanto existem outras cepas de leveduras e, para algumas delas, quanto mais frio melhor. Estas cepas de levedura resistentes ao frio apareceram nas cervejarias da Alemanha, pois no início do século 19 a população tinha o hábito de armazenar o alimento, incluindo a cerveja, em cavernas de gelo nos Alpes para prevenir a deterioração. Esta técnica de armazenamento cedeu o nome para o estilo Lager, pois Armazenamento em Alemão é LAGERung.

As pessoas que se utilizavam destas técnicas de armazenamento notaram que as cervejas armazenadas no frio apresentavam corpo mais leve e sabor mais seco e sutil. O açúcar era mais atenuado e o resultado era uma cerveja menos adocicada. A técnica Alemã levou ao descobrimento das leveduras resistentes ao frio, a Saccharomyces Pastorianus. Estas leveduras também ficaram conhecidas como levedura de fermentação de fundo, ou seja, toda atividade de fermentação ocorre no fundo da coluna de líquido (ou mosto). E as cervejas resultantes desta fermentação no frio eram chamadas de Lagers.

Contudo, as Lagers daquela época eram bem diferentes dos produtos comerciais que conhecemos atualmente. O malte de cevada era muito mais escuro, pois o processo de maltagem utilizado na Alemanha do século 19 não conseguia produzir um malte claro e saboroso. E estas primeiras versões escuras de Lagers originaram uma variedade de estilos que eram comumente chamadas de German Dunkels na Alemanha ou Tmavé Pivo na Bavária (atual República Tcheca).

Gabriel Sedlmayr

Entre 1820 e 1830, um cervejeiro iniciante chamado Gabriel Sedlmayr, viajou pelas regiões produtoras de cervejas na Europa para aprimorar seus conhecimentos sobre cerveja e ficou um tempo considerável no Reino Unido e da Bélgica, onde ele aprendeu novas técnicas de maltagem que produziam um malte muito mais claro, que era a base das Pale Ale britânicas. A produção de um malte mais claro era obtida utilizando-se um processo de queima indireta e lenta. Sua família era responsável pela cervejaria Spaten, na Bavária, e quando Sedlmayr retornou de sua incursão pela Europa, ele aplicou os conhecimentos adquiridos para obter uma cerveja mais estável e consistente. Porém a cerveja Lager da Bavária ainda era muito diferente do que conhecemos hoje como cerveja Lager, pois devido ao uso de maltes escuros as cervejas eram bem pretas, representando o que hoje é chamado de cerveja Dunkel ou uma variedade mais forte, a cerveja Bock.

A nova receita de cerveja lager “melhorada” se espalhou rapidamente pela Europa. Em particular, um amigo de Sedlmayr, Anton Dreher, foi quem primeiro adotou as novas técnicas de maltagem que possibilitaram a criação de uma “Pale Lager”.

Anton Dreher

Em 1840, o cervejeiro austríaco Anton Dreher desenvolveu um estilo de cerveja muito mais claro, de cor cobre-avermelhado, que foi a Schwechater Lagerbier. Este era um novo estilo de cerveja que requeria uma temperatura fria estável para maturação e armazenamento. Originalmente ele chamou a cerveja de Märtzen, ou cerveja de Março, porque a água era mais gelada e ainda havia gelo disponível. Em 1858 a Lager do Anton Dreher a medalha de ouro por excelência no Beer Exhibit em Viena. Mas a maior honraria ocorreu em 26 de novembro de 1861, quando o imperador Franz Joseph I visitou a cervejaria e concedeu a Anton Dreher a Cruz do Cavaleiro (Knight’s Cross) da Ordem de Franz Joseph.

Em 1862 ele recebeu a medalha de ouro da Feira Mundial de Paris e sua cerveja passou a ser conhecida como Viena Lager. A cervejaria Dreher hoje pertence à SABMiller.

O fato que nos interessa entretanto é que, com a melhora no controle do processo de cozimento do malte de cevada, foi possível obter cervejas mais claras e, consequentemente, mais leves. A cerveja clara elaborada por Anton Dreher foi determinante na solidificação do uso do termo Lager para as cervejas fermentadas no frio. As cervejas claras que bebemos hoje em dia possuem sua origem na região da Boêmia, por um caminho que vai da Inglaterra à Bavária.

Porque Pilsen?

Na primeira metade do século 19, os cidadãos da cidade de Pilsen, Boêmia (atual República Tcheca) não estavam satisfeitos com a cerveja fermentada por leveduras do tipo Ale devido à sua baixa qualidade e curta vida útil de armazenamento, tanto que eles esvaziaram publicamente vários barris de cerveja a fim de chamar a atenção. Assim, foi decidido pelo conselho municipal construir uma nova cervejaria, capaz de produzir uma cerveja do estilo lager que possuia uma vida útil mais prolongada. Na época, este estilo era chamado de cerveja da Bavária, pois este processo de fabricação de cerveja no frio se tornou popular nesta região e o clima na Boêmia é semelhante ao da Bavária, tornando possível armazenar gelo do inverno e permitir a fermentação durante todo o ano.

A cerveja da bavária tinha uma reputação excelente, e os cervejeiros da região eram considerados os principais mestres cervejeiros da época. Assim, os cidadãos de Pilsen, não só construíram uma nova fábrica de cerveja, mas também, em 1839, contrataram Josef Groll, um cervejeiro bávaro, para administrá-la. O pai de Josef Groll era dono de uma cervejaria em Vilshofen, na Baixa Bavária e havia muito tempo que experimentavam formular novas receitas de cerveja lager. Nesta época o processo de maltagem já havia progredido bastante e havia disponibilidade maltes realmente claros. Em 5 de outubro de 1842, Groll produziu o primeiro lote da cerveja Urquell , que ficou caracterizada pela utilização de leveduras lager, água mole da região (água com poucos sais minerais), malte claro, e lúpulo Saaz, que era produzido na cidade de Žatec, e proporcionou o efeito preservativo e amargor em adição a um distinto sabor terroso e de ervas. Assim nasceu a primeira cerveja Pilsner do mundo, a Pilsner Urquell. E este estilo de cerveja acabou sendo nominado em homenagem à cidade que a fez primeiro, Pilsen.

Não perca: na próxima semana publicaremos a segunda parte desta história.

Saúde!

 

1ª Degustação Chug-a-Lug

Data: 27/Abril/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Alessandro Montoya, Renato Maldonado e Rodrigo Menossi.

Convidado: Cezar Pereira.

Tema: Da Bavária ao Brasil – Uma viagem Lager

Público: 47 pessoas

Presidente: Marco Jordan

A apresentação foi iniciada pelo presidente pontualmente às 20:00 com uma breve apresentação introdutória da Confraria Chug-a-Lug ao público participante. Foram apresentadas as regras da Confraria, foi explicado brevemente o que fazemos em nossas reuniões internas e foram feitos os agradecimentos especiais ao Capitão Barley, à Cervejaria Avós e à Cervejaria Hausen por terem dado apoio e suporte para a realização da degustação.

Por volta das 20:15 a sessão passou para o confrade Alexandre Fornazari que conduziu o Bate-papo: O mundo Lager. Neste bate-papo, diferentemente das reuniões internas em que algum assunto técnico é tratado, foi contada a história da cerveja Lager, seu descobrimento, amadurecimento e difusão para todo o mundo até a chegada ao Brasil, se tornando o estilo de cerveja mais popular do mundo. Esta história será contada em publicações neste blog nas próximas semanas.

Após o término do Bate-papo foram servidos os maltes: Pilsen, Cara Gold e Café e os lúpulos: Saaz, Hallertau Hersbrucker e Citra para que os presentes pudessem experimentar os mesmos e facilitar a identificação de tais ingredientes quando a degustação fosse feita. A degustação foi iniciada logo após o término da degustação de ingredientes  bate-papo e o Presidente da Reunião, Marco Jordan, apresentou formalmente aos presentes sobre suas pesquisas e o motivo da escolha do tema e da seleção de cervejas. O presidente concluiu que o universo das cervejas Lager é muito grande e pouco conhecido, por isso resolveu fazer a degustação do estilo. Foram selecionadas quatro cervejas Lager e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os presentes.

Esta foi nossa primeira experiência com público participante (não confrades) e nossa avaliação geral foi muito positiva. Foi muito gratificante poder compartilhar conhecimento, aprender com outras pessoas, ouvir suas opiniões e agregar um pouco de valor para uma coisa que somos todos apaixonados. Podem aguardar que iremos repetir a dose.

Pra finalizar fizemos a degustação de quatro cervejas, sendo que as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Cerveja Czechvar – Czech Premium Pale Lager (3B)
  • Hacker-Pschorr – Pale Kellerbier (7C)
  • Vó Maria e seu Lado Zen – American Lager (1B)
  • Hausen Dunkel – Schwarzbier (8B)

Todas as cervejas foram muito premiadas mas queremos dar enfase especial às duas brasileiras.

  • A Cervejaria Avós com sua “Vó Maria e seu Lado Zen” que foi quem recebeu a medalha de ouro em Blumenau 2017 no estilo American Lager. Como mencionado pelo cervejeiro Junior Bottura na apresentação da cerveja aos presente, a premiação foi uma agradável surpresa pois ele considerava a categoria extremamente difícil por ter havido grandes cervejas inscritas. Para se ter uma ideia a medalha de prata na mesma categoria foi para a Dama American Lager e a medalha de bronze foi para a Kirin Ichiban, jogo duro mas vencido, parabéns Junior pelas cervejas e nossos agradecimentos pela sua participação especial.
  • A Cervejaria Hausen Bier com sua cerveja Hausen Dunkel que recebeu a medalha de ouro 2016 no World Beer Awards (WBA) tanto no estilo quanto como melhor Lager do Mundo, além da medalha de ouro em 2016 para o estilo no Festival Brasileiro da Cerveja. A cervejaria de Araras, no interior de São Paulo, foi fundada por dois Engenheiros de Alimentos e a cervejaria segue a linha mais tradicionalista, como o Reinheitsgebot, ou simplesmente Lei da Pureza Alemã, de 1516, onde a cerveja deve ser feita com apenas água, malte de cevada e lúpulo (ainda não se tinha conhecimento das leveduras na época). Parabéns ao Leandro e ao André pelo carinho que produzem suas cervejas, todas muito boas. Recomendo.

E a vencedora da noite, na opinião dos presentes, foi a Vó Maria e seu Lado Zen. A Cerveja recebeu duas notas máximas em todos os quesitos, dadas por José Antônio Bachur e por Carlos Rodrigues.

A próxima reunião da confraria será definida nos próximos dias e será interna (somente confrades).

Saúde!

Degustação de Cervejas no Capitão Barley

Descrição do evento

A Confraria Chug-a-Lug nasceu com objetivo de reunir pessoas interessadas na cultura cervejeira e de oferecer experiências de degustação voltados para a disseminação da cultura cervejeira.
Somos um grupo de amigos que se encontram e desejam realizar novas experiências, acrescentando conhecimento e troca de informações com outras pessoas com a mesma vontade: deixar de lado, nem que por um momento, a correria de suas profissões ou da cobrança excessiva de resultados, para praticar uma atividade de lazer e, ao mesmo tempo, gratificante.
Na Confraria Chug-a-Lug os trabalhos são feitos de forma coletiva, sempre incluindo um bate papo técnico e a sessão de degustação. Como forma de crescimento pessoal, os participantes se reúnem para realizar as degustações e trocar ideias, aproveitando também momentos de relaxamento de suas obrigações diárias e troca de experiências com pessoas interessadas na cultura cervejeira.
Novidades: 4ª Reunião
Com o objetivo de abrir espaço para que “não” confrades tomem parte de nossas degustações, iniciamos nesta 4ª Reunião, com os convidados participantes. Desta forma outros apaixonados por cerveja podem participa e contribuir com seu conhecimento além de validar as conclusões.
Outra novidade importante é que está é a nossa primeira reunião itinerante e em um dos mais reconhecidos bares de cervejas especiais de São Paulo, o Capitão Barley.
Programa da Noite:
Seguindo o tema da noite “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager” apresentaremos o seguinte:
  • Bate-papo Técnico: uma breve história da cerveja Lager
  • Bate-papo Técnico: conhecendo alguns ingredientes
  • Degustação de 4 rótulos, incluindo 150 ml de cada cerveja e avaliação das cervejas degustadas.
Contaremos com a presença do Júnior Bottura da Avós Cerveja Artesanal apresentado a cerveja medalha de ouro na categoria American Style Pilsener: Vó Maria e seu lado Zen. Não perca esta oportunidade!
 
Saúde.

 

Terceira Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 16/Março/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Gustavo Samogim, Marcelo Sperandim, Marco Jordan, Orlindo Martins, Ed Gomes, Ricardo Valência e Rodrigo Menossi.
Chug-a-luggers Ausentes: Alessandro Montoya e Renato Maldonado.

Convidados: Antônio dos Santos e Fernando A. Gomes.

Presidente: Ricardo Valência

A reunião foi iniciada às 20:00 com um Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Neste bate-papo foi feita uma apresentação muito breve sobre mosto cervejeiro e o processo de “ramp up“. Nossos convidados teceram alguns questionamentos sobre a influência da água utilizada e o resultado na qualidade das cervejas. Foi explicado que o mosto cervejeiro deve ser feita com a água mais ácida, com pH entre 4,5 e 5,5 e que a dureza da água também influencia o resultado da cerveja.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Ricardo Valência, apresentou formalmente os convidados aos confrades e pediu que eles falassem um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência o Ricardo falou um pouco aos presentes sobre suas pesquisas e degustações realizadas para a seleção e para a apresentação de cervejas. Ele concluiu que o universo das Pale Ale é muito grande e resolveu fazer a degustação novamente do estilo, dando continuidade à segunda reunião. Foram selecionadas quatro cervejas do estilo e estas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Assim como nas primeira e segunda reuniões, surgiram dúvidas sobre ésteres, fenóis, formato do colarinho etc. Interessante comentar que uma das garrafas da Insana estava contaminada pois, assim que a tampa foi removida, a espuma começou a ser liberada pela boca da garrafa, o que me fez suspeitar de contaminação que foi confirmada pelo aroma, gosto e aspecto da cerveja. Esta foi uma experiência interessante, pois os confrades e os convidados tiveram a oportunidade de sentir as diferenças entre uma cerveja boa e uma cerveja contaminada. Vale notar que as garrafas de SUD também ameaçaram espumar ao serem abertas, porém ao chegar na extremidade a espuma parava e não escorria pela garrafa. Eu imagino que isso tenha ocorrido em função do “dry-hopping” feito nesta cerveja.

Fizemos a degustação de quatro cervejas, porém compramos cerveja para 17 pessoas (estávamos em 10 pessoas) degustar e, ao término da degustação todos exageraram e beberam todas garrafas. Temos que corrigir e comprar o suficiente para degustação somente, afinal de contas o objetivo é beber com qualidade e não em quantidade.

Na terceira reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Insana – Pale Ale (10A)
  • Primator English Pale Ale (8C)
  • SUD Pale Ale (8B)
  • Fuller’s London Pride (8B)

Surpreendentemente a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a SUD Pale Ale. Agora a grande surpresa mesma foi que tivemos a nossa primeira avaliação Chug-A-Lug, pois a SUD Pale Ale tirou nota máxima em todas os critérios para o nosso convidado Toninho.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 27/04/2017 e nosso próximo presidente será o Marco Jordan.

Saúde e até lá!

Insana Pale Ale

Características:

Cervejaria: Cervejaria Insana
País: Brasil
Estilo: American Pale Ale (10A)
ABV: 5,5%
Temperatura de consumo: 4 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Cerveja de alta fermentação tem como destaque sua coloração intensa e seus aromas cítricos provenientes de uma seleção de lúpulos americanos. Ideal para acompanhar comida mexicana, carnes e queijos fortes.

É aconselhável apreciar esta cerveja utilizando um copo pint.

Aroma: Frutas cítricas tipo maracuja, laranja e tangerina com um traço de malte seco.
Paladar: Leve maltado contrastando a traços citricos e um amargor final muito agradável.
Copo Ideal: Pint.
IBU: 35.

Considerações da Confraria:

A cerveja Insana Pale Ale foi nossa primeira avaliada da noite, com opiniões ligeiramente discrepantes, mas com avaliações variando entre bom e excelente. Interessante notar que uma das garrafas abertas estava contaminada o que foi proveitoso no sentido dos confrades e convidados poderem experimentar as sensações de aroma e paladar de uma cerveja contaminada. Nosso convidado Toninho, que já possui experiência em degustações, a considerou uma cerveja excepcional por ser bem fiel ao informado pelo marketing da empresa. Enquanto isso, nossos confrades Jordan e Marcelo, atribuiram as notas mais baixas sendo que o primeiro informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido enquanto que o Marcelo informou que a compraria para consumo. A cerveja possui uma coloração considerada ambar através do senso comum entre todos os confrades.

Embalagem:

Este quesito não foi devidamente registrado pelos confrades nem pelos convidados mas vários comentários foram tecidos sobre a embalagem. A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é bem clássico sendo que o nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação do rótulo apenas pelas cores também ajuda a facilitar a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a proveniência da cerveja, passa um pouco as características da cidade de Palmas, PR com referência ao clima, altitude e água,  possui ainda o texto de apresentação da cerveja, sua harmonização sugerida, o copo recomendado, os ingredientes, armazenamento, a composição e os demais textos obrigatórios por lei. Importante ressaltar que o contra-rótulo apresenta bem claramente que o produto não deve ser ingerido por: quem está prestes a dirigir, quem é menor de 18 anos de idade e não recomendado para mulheres grávidas.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico em uma garrafa elegante resultam em uma apresentação muito boa que agrada ao olhar. As informações estão presentes e são claras, rótulo e contra-rótulo de fácil leitura e compreensão. Na minha opinião faltou apenas informar o amargor (IBU) da cerveja.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,2
Aparência: 7,0
Sabor: 7,2
Sensação na boca: 7,4
Impressão Geral: 7,5
Média Geral: 7,2

Ficha de Avaliação

Primátor English Pale Ale

Características:

Cervejaria: Pivovar Náchod
País: República Tcheca
Estilo: Extra Special Bitter English Pale Ale (8C)
ABV: 5,0%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Tradução: Nossa Pale Ale é uma cerveja de alta fermentação, produzida a partir de malte de cevada com uma pequena quantidade de trigo maltado e também de milho não maltado, o qual raramente é utilizado para a fabricação de cerveja, mesmo na Inglaterra. A cerveja é fabricada utilizando tecnologia de infusão e tem uma cor âmbar escura com um caráter de malte arredondado. O estilo é caracterizado pelo seu rico aroma lupulado e sabor amargo, específico de lúpulos originalmente britânicos, que são mais intensos em comparação com lúpulo Žatec, e seu aroma único de grama deixa um sabor seco ligeiramente amargo no paladar. Esta variedade incomum de lúpulo fornece à cerveja uma característica de leveza e frescor que é típico para o estilo. Seu aroma único deixa um sabor seco ligeiramente amargo no paladar. O aroma desta cerveja é mais fraco em comparação com as lagers da República Tcheca.

Original: Our Pale Ale is a top-fermented beer, produced from barley malt with a small amount of colored malted wheat and also from unmalted corn, which is rarely used for brewing even in England. The beer is brewed using infusion technology and has a dark amber color with a rounded malty character. Pale Ale is characterized by its rich hoppy aroma and specific bitter taste of original British hops, which are rougher in comparison with Žatec hops, and their unique grassy aroma leaves a dry slightly bitter aftertaste on the palate. This unusual hoppy variety provides the Ale with its characteristic lightness, freshness and head, which is typical for English Ale. The tang of this beer is weaker in comparison with Czech lagers.

Considerações da Confraria:

A cerveja Primátor English Pale Ale foi nossa segunda avaliada da noite, com opiniões mais uniformes que a nossa primeira degustada. Nosso presidente da noite, Ricardo Valência, a considerou uma cerveja excepcional e a pontuação da cerveja segundo ele foi 9 em uma escala de zero a dez . Mais uma vez nosso confrade Marco Jordan, atribuiu a nota mais baixa (4,2) e informou, junto com outras duas pessoas que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. A cerveja possui uma coloração considerada ambar e espuma bege, é bem límpida e a espuma é de formação média com retenção de baixa para média.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Alemã de 500 mL e seu rótulo é bonito mas com pouca informação. O fundo é a bandeira da Inglaterra, remetendo ao estilo da cerveja e o nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. Além do país de origem e da região da cervejaria não existem mais informações no rótulo. A graduação alcoólica é apresentada no contra-rótulo, porém o texto está escrito em idioma nativo. A etiqueta transcrevendo informações obrigatórias em português contra-rótulo, elaborada pela Dmm Imp. & Exp. Importacao E Exportacao Ltda, informa o nome da cerveja, a graduação alcoólica, o volume da embalagem, os ingredientes, a cervejaria e outras informações que são exigidas por lei.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo agradável em uma garrafa tradicional resultam em uma apresentação razoável que agrada ao olhar, porém com poucas informações. Algumas informações estão presentes porém não são claras, rótulo pobre de informação e contra-rótulo no idioma de origem. Etiqueta bastante incompleta de difícil leitura. A lista de ingredientes está incompleta pois, se a cerveja leva milho não malteado na composição, deveria ser informado a presença de “cereais não-malteados”. Faltou também informar o amargor (IBU) da cerveja, sua harmonização, o copo recomendado, o nome do importador (é apresentado apenas o CNPJ) e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 7,4
Sabor: 7,6
Sensação na boca: 7,0
Impressão Geral: 7,0
Média Geral: 7,4

Ficha de Avaliação

Sud Pale Ale

Características:

Cervejaria: Cervejaria Sudbräu
País: Brasil
Estilo: Special Premium Bitter Ale (8B)
ABV: 4,8%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Uma cerveja de alta fermentação de cor bronze. Se caracteriza pela presença de ésteres frutados e com notas herbáceas dos lúpulos ingleses utilizados no dry hopping. Elaborada com blend de lúpulos de médio amargor. Medianamente encorpada com sabor e aroma de malte com final seco.

Considerações da Confraria:

A cerveja Sud Special Bitter Pale Ale foi nossa terceira avaliada da noite e surpreendeu a todos e as avaliações refletiram a agradável surpresa. Um detalhe que chamou a atenção foi que tivemos a impressão de haver alguma contaminação na cerveja, pois a maioria das garrafas, à medida que iam sendo abertos, apresentavam uma formação de espuma que subia até a boca da garrafa, porém parava por ali. Reservei as que apresentaram tal comportamento e servi algumas em que este comportamento não se apresentou. Depois servi a mim mesmo com o conteúdo das duas garrafas e comparei, sendo que não notei diferenças e pude concluir que não havia, de fato, contaminação. Acredito que tal comportamento seja em função do “dry-hopping”. Novamente nosso convidado Toninho deu as maiores notas para a cerveja, sendo que tivemos nossa primeira nota máxima (10) em uma avaliação, que consideramos uma nota Chug-a-Lug. Mais uma vez nosso exigente confrade Marco Jordan atribuiu a nota mais baixa (6,4) e, além do nosso convidado Fernando, foi o único confrade que informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. A cerveja possui uma coloração ambar, intenso aroma de lúpulo, amargor médio e é possível identificar pequenas partículas em suspensão no líquido bem transparente, que acredito que seja lúpulo (e também a origem a espuma ao abrir as garrafas), o senso comum foi que a cerveja é bastante fiel ao descrito pela empresa.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é clássico e bem limpo, parecendo que foi feito artesanalmente. O nome da cervejaria e o estilo são identificados facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação do rótulo apenas pelas caixa de estilo (em vermelho nesta cerveja) dificulta um pouco a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a proveniência da cerveja, a descrição apresentada neste post, os ingredientes, armazenamento, a composição, informações da cerveja (amargor, cor, malte e aroma) segundo critério da própria empresa (tornando possível sua comparação apenas com produtos da mesma empresa) e os demais textos obrigatórios por lei.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico, bonito e agradável em uma garrafa elegante resultam em uma apresentação muito boa que agrada ao olhar. As informações estão presentes e são claras, rótulo e contra-rótulo de fácil leitura e compreensão. Na minha opinião faltou apenas informar parâmetros da cerveja segundo critérios já estabelecidos e não critérios próprios, por exemplo: IBU no lugar de Amargor com três estrelas. Faltou também informar a harmonização sugerida, o copo recomendado e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 8,3
Aparência: 7,6
Sabor: 8,4
Sensação na boca: 7,6
Impressão Geral: 8,1
Média Geral: 8,1

Ficha de Avaliação

Fuller’s London Pride

Características:

Cervejaria: Fuller’s
País: Inglaterra
Estilo: Special Premium Bitter Ale (8B)
ABV: 4,7%
Temperatura de consumo: 8 – 12 ºC
Copo Utilizado: Pint

Descrição do Fabricante:

Não apenas a cerveja icônica da capital, London Pride é um caso de amor de todos os britânicos que une uma nação de bebedores de cerveja. É fabricado com variedades de lúpulo inteiramente caseiras – sendo o Target para amargor e os lúpulos Northdown, Challenger e Goldings para aroma – mas a alma da cerveja está inquestionavelmente no malte. Maltes cristal combinam-se com as variedades de maltes Pale Ale – Concerto e Propino – colhidos na primavera para dar a esta cerveja sua inimitável profundidade e equilíbrio.

Esta cerveja Premium Ale de cor castanho-avermelhado empresta notas de uva doce, biscoito e frutas secas do malte cristal, enquanto que os aromas das ervas frescas de pinha emanam do lúpulo. Rico, suave e elegante no paladar, ela leva a um acabamento limpo e satisfatório com amargor bem equilibrado.

Original: Not just the iconic ale of the capital, London Pride is an all-British affair that unites a nation of beer drinkers. It’s brewed with entirely home-grown hop varieties – Target for bittering and Northdown, Challenger and Goldings for aroma – but the soul of the beer is unquestionably in the malt. Crystal malts combine with spring-harvested Pale Ale varieties Concerto and Propino, to give Pride its inimitable depth and balance.
This tawny-coloured premium ale borrows sweet raisin, biscuit and dried-fruit notes from the Crystal malt, while fresh, piney herbs emanate from the hops. Rich, smooth and elegant on the palate, it draws to a clean, satisfying finish with beautifully balanced bitterness.

Considerações da Confraria:

A cerveja Fuller’s London Pride foi nossa última avaliada da noite e também surpreendeu a todos por seu contraste com Sud Pale Ale. Na terceira cerveja da noite o destaque foi o lúpulo devido ao processo de “dry-hopping” enquanto que nesta última o destaque realmente são os maltes. De aroma e paladar muito agradáveis a cerveja remete a um biscoito doce com leve toque de frutas secas. O aroma é muito equilibrado e sua cor ambar escuro muito límpida. O colarinho é de média formação e média retenção e a cor bege foi a que foi identificada pelos nossos confrades e convidados. Desta vez o nosso confrade Gustavo Samogim atribuiu a nota mais baixa (6,4) e somente o nosso confrade Kim que informou que não a compraria porém tomaria se lhe fosse oferecido. O senso comum foi que a cerveja é muito gostosa.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa Customizada da Fuller’s de 500 mL e seu rótulo é clássico e bem limpo. O nome da cervejaria e o nome da cerveja são identificados facilmente. Os rótulos são únicos e exclusivos, o que facilita a identificação. O contra-rótulo apresenta claramente a graduação alcoólica, o volume de cerveja, a proveniência da cerveja e os ingredientes em diversos idiomas incluindo português. Os demais textos obrigatórios por lei estão em uma etiqueta da importadora Boxer do Brasil Representações Ltda.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de estilo clássico, bonito e agradável em uma garrafa elegante com uma apresentação muito boa e exclusiva. As informações entretanto não estão presentes no rótulo porém são claras no contra-rótulo. A leitura e compreensão não é muito fácil e requer atenção devido aos diverso idiomas nesta garrafa de exportação. Faltou informar o amargor, a harmonização sugerida, o copo recomendado e a temperatura de serviço.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 8,2
Sabor: 8,0
Sensação na boca: 6,8
Impressão Geral: 8,0
Média Geral: 7,8

Ficha de Avaliação

Dia de São Patrício

Dia de São Patrício (Saint Patrick’s Day) é a festa anual que celebra o domínio da chegada de São Patrício, um dos padroeiros da Irlanda, e é normalmente comemorado no dia 17 de Março pelos países que falam a língua inglesa. Essa data é normalmente medida pela autoridade da Igreja. As pessoas vestem-se de trajes verdes, saindo as ruas em uma longa caminhada festiva. Atualmente o Dia de São Patrício provavelmente é o mais amplamente comemorado dia de santos no mundo.

O primeiro “Saint Patrick’s Festival” foi realizado no dia 27 de Março de 1997. Em 1999, tornou-se um evento de três dias, e em 2000 foi um evento de quatro dias. Em 2006, o festival durou 10 dias.

No passado, o Dia de São Patrício era apenas uma celebração da Igreja. Tornou-se um feriado público no ano de 1903. Na Inglaterra, foi introduzido no Parlamento pelo irlandês James O’Mara. Mais tarde, O’Mara introduziu a lei que proibia que os pubs fechassem no dia 18 de Março, uma providência que só foi mudada nos anos 70. A primeira manifestação ocorreu em Dublin, no ano de 1931, e foi criticada pelo ministro

São Patrício

Pouco se sabe da vida de Patrício, apesar de ser notório seu nascimento na Inglaterra Romana no século IV, em uma rica família romano-bretã. Seu pai e avô foram diáconos na Igreja. Aos dezesseis anos, ele foi sequestrado por piratas irlandeses e levado para a Irlanda como um escravo. Acredita-se que ele ficou em cativeiro em algum lugar na costa oeste da Irlanda, possivelmente no Condado de Mayo, mas o local exato é desconhecido. De acordo com sua confissão, Deus lhe disse, em sonhos, para fugir de seu cativeiro para o litoral, onde ele iria embarcar em um navio e retornar a Bretanha. Ao voltar a Bretanha entrou para o mosteiro de Ésir, em Auxerre na Gália (atual França), sob orientação do santo bispo Germano.

Em 432, alegou ter recebido um chamado para regressar a Irlanda, porém como bispo, para a evangelização dos irlandeses. O folclore irlandês alega que um de seus métodos de evangelização incluía o uso de um trevo de três folhas para explicar a doutrina da Santíssima Trindade para os irlandeses. Depois de quase trinta anos de evangelização, Patrício (Louis Andrew) faleceu no dia 17 de março de 461, e, de acordo com a tradição, foi enterrado em Downpatrick. Apesar do êxito de várias missões à Irlanda empregadas por Roma, Patrício perdurou como o santo principal do cristianismo irlandês e é bastante estimado pela Igreja Católica irlandesa e de todo o mundo.

A cor verde

Com o passar dos anos a cor verde e sua ligação com o dia de São Patrício aumentou. Fitas verdes e trevos eram usados nas celebrações do dia de São Patrício no século XVII. Dizem que São Patrício usou o trevo para explicar a Santíssima Trindade aos pagãos celtas, com isso, o uso de trevos de três folhas e similares estão intimamente ligados aos festejos. Na rebelião irlandesa de 1798, na esperança de propagar seus ideais políticos, soldados irlandeses vestiram uniformes verdes no dia 17 de março na esperança de chamar a atenção pública à rebelião. A expressão irlandesa “the wearing of the green” (Vestindo o verde), significa usar um trevo ou então outra peça de roupa em referência aos soldados rebeldes.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/