Coserdonk Tempelier

Faz um tempo que não atualizo este blog então escolhi uma cerveja que gosto muito para voltar aos posts. Há muito tempo atrás, realmente muito tempo, quando o Frangó era mais conhecido pelos moradores da Freguesia do Ó e eu morava perto do lardo da matriz, eu tive a oportunidade de provar as cervejas belgas “Paster Noster” e “Agnus Dei” da cervejaria Corsendonk. A marca da cerveja refere-se ao priorado de Corsendonk em Oud-Turnhout, localizado na província Belga de Antuérpia, o qual funcionou de 1398 a 1784 e foi reconstruído em 1968 como um complexo hoteleiro pelos novo proprietário, o Hotel Corsendonk. Em 1982, na celebração do centésimo vigésimo quinto aniversário da municipalidade de Oud-Turnhout, o neto de Antonius Keersmaekers, Jef Keersmaekers, lançou as cervejas que eu tive a oportunidade de provar no Frangó.

PrioradoAlgum tempo depois resolvi beber novamente as cervejas, porém as mesmas haviam sumido do mercado. Recentemente estas cervejas voltaram às prateleiras das lojas, porém com alteração nos seus nomes: atualmente a Paster Noster se chama Corsendonk Patter e a Agnus Dei se chama Coserdonk Agnus. A produção da cerveja é terceirizada e é feita na Brasserie Du Bocq.

Bebi no último final de semana uma garrafa da Corserdonk Tempelier. Ganhei de presente o kit com uma garrafa de 330 ml e a taça, que, diga-se de passagem, é linda. A cerveja possui coloração âmbar ligeiramente turva com espuma bege claro de boa duração e formação.

tempelier_1No aroma é possível identificar notas de caramelo, lúpulo, ervas e frutas, os quais estão presentes também no sabor. O sabor é ligeiramente adocicado com notas picantes e o amargor é leve. Corpo médio e boa drinkability.

Harmoniza bem com: queijos de média intensidade (minas, brie/camembert, gouda, prato, gruyère, parmesão, roquefort, gorgonzola), pato, codorna, peru, faisão, chester, massa com molho de tomate, molho branco, ao pesto, lasanha, canelone, carneiro, comida indiana, camarão frito, caranguejo, caviar, lagosta e sobremesas a base de frutas.

Características:

ABV: 6,0%
IBU: 20 – 30
Estilo: 3 – Belgian Golden Ale
Temperatura de Consumo: 10ºC a 12ºC
Copo recomendado: Tulipa ou Taça

 

Le Poechenellekelder

O bar Poechenellekelder (conseguiu pronunciar o nome?) fica em Bruxelas na região da Grand Place, ao lado da estátua Manneken Pis, o menino mijão, conhecido no Brasil como “Manequinho”, umas das principais atrações turísticas da cidade. A estátua de bronze é também conhecida como pequeno Julien.

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Garotas taradas bêbadas querendo pegar no “bingulim” do pequeno Julien.

Este bar é uma ótima opção para beber uma breja em um ambiente bem decorado e com excelente atendimento. Nas paredes do bar estão pendurados bonecos utilizados em teatro de marionete e instrumentos musicais. Como a maioria dos bares na Bélgica, ele tem uma extensa carta de cerveja.

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Entrada do bar.

Na época que conheci o Poechenellekelder, no mês de novembro, acabei experimentando as cervejas especiais fortes e encorpadas produzidas para o Natal. Esse tipo de breja começou a ser fabricada nos mosteiros europeus que separavam os melhores ingredientes do ano para celebrar o nascimento de Jesus Cristo.

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Decoração do bar.

A primeira breja foi a sensacional Gouden Carolus Christmas com 10,5% de ABV (Alcohol By Volume). É uma Dark Strong Ale encorpada com gosto de álcool bem aparente, espuma bege e cor bem escura, como a grande maioria das belgas de Natal. Seu gosto é de malte tostado, frutas vermelhas, toffee, chocolate amargo.

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Depois experimentei a St. Bernardus Christmas Ale que também é uma Dark Strong Ale. Seu aroma é de uva, ameixa, malte torrado e vinho. Tem uma espuma bege densa e cremosa que permaneceu até o final da degustação. Ótima breja!

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Para finalizar a minha visita ao Poechenellekelder, provei a St. Feuillien Cuvée de Noël que tem 9% de ABV. O sabor do lúpulo é baixo e o que predomina é o sabor tostado, caramelo, madeira, ameixa. É uma excelente breja que combina muito bem com os dias frios do inverno europeu.

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O Poechenellekelder é um dos melhores bares de Bruxelas, se destaca pela sua localização privilegiada, carta de cerveja e ambiente. É uma parada obrigatória da rota cervejeira. Vale a visita!

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Banzai!

Localização:
Poechenellekelder
5 Rue du Chene, Bruxelas, Bélgica
www.poechenellekelder.be

Westvleteren 12

Tive a oportunidade de visitar a Europa em novembro de 2012. No roteiro de duas semanas, estava programado alguns passeios pela França, Bélgica e Holanda. No período destinado a Bélgica, inclui no roteiro as cidades de Bruxelas, Bruges e Vleteren para experimentar a lendária cerveja Westvleteren 12, produzida pelos monges trapistas da abadia St. Sixtus (www.sintsixtus.be), fundada em 1838.

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A Westvleteren 12 foi considerada a melhor cerveja do mundo em 2005 pelo site RateBeer.com. Sua venda é realizada na própria abadia com agendamento antecipado por telefone ou no bar In de Vrede (http://www.indevrede.be). Ela se tornou um mito e chegar até seu local de fabricação para degustá-la é uma aventura que qualquer cervejeiro está disposto a fazer.

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Atualmente, oito mosteiros trapistas produzem cervejas, são seis na Bélgica (Westvleteren, Westmalle, Chimay, Orval, Rochefort e Achel), um na Holanda (La Trappe) e um na Áustria (Stift Engelszell).

A cidade de Vleteren fica a 150 km de Bruxelas, perto da fronteira com a França. Para chegar ao destino, aluguei um carro com GPS e percorri o trajeto em 1h30. Após passar por várias estradinhas sem asfalto em zonal rural, cheguei ao local tão desejado.

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Estacionei o carro, passei pela abadia e entrei no bar In de Vrede (http://www.indevrede.be) que fica ao lado do mosteiro. No bar, experimentei os pães, os queijos e os três tipos de cerveja, a Blond com tampinha verde, a 8 com tampinha azul e a 12 com tampinha amarela. Todas as informações desta breja estão na tampinha, pois ela não tem rótulo.

Tem uma lojinha a entrada que vende cerveja, copo, queijo, fermento para cerveja, camiseta. Acabei comprando quatro caixas (seis garrafas/cada), quatro copos e 2 queijos fabricados também pelos monges.

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Na época que estive no In de Vrede a Westvleteren Blond custava €3,70, a 8 €4,20 e a 12 €4,70. No Brasil, já encontrei a garrafa de 335 ml da West 12 por R$200,00. Ainda tenho doze garrafas que serão degustadas em ocasiões especiais =)

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A Westvleteren 12 é uma cerveja do estilo Belgian Quadrupel, com 10,2% de teor alcoólico, fabricada com água, malte, lúpulo, fermento e especiarias. Beber esse breja é uma experiência para nunca mais esquecer. Ela tem uma espuma densa, escura e persistente. Seu cheiro e sabor são complexos, com sensações de frutas vermelhas, nozes, avelã e amadeirado.

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No próximo post, vou escrever sobre os bares de Bruxelas (Delirium e Poechenellekelder) e também sobre a Brasserie Cantillon Brouwerij aonde é fabricada cerveja de fermentação espontânea. Um brinde aos monges da abadia de St. Sixtus por fazer a West 12. Saúde! Banzai!

Urthel Samaranth

Urthel logo 2010 .10Queridos amigos, já faz mais de uma semana que não escrevo, mas volto agora e aproveito para escrever sobre uma das minhas cervejas preferidas. Entendam por “preferidas” as cervejas que compro novamente. A cervejaria Bierbrouwerij De Koningshoeven não é uma das tradicionais e antiquíssimas cervejarias belgas. Mas as receitas elaboradas pela engenheira industrial especializada em processos de cervejarias e cervejeira Hildegard van Ostaden são de se tirar o chapéu.

Esta cerveja foi inicialmente concebida para o casamento de Hildegard e seu companheiro Bas em 2002. O objetivo era fazer uma cerveja que fosse forte o suficiente para substituir o vinho, e nasceu um monstro. Isso mesmo, esta cerveja é um monstro. O interessante desta cerveja Belga é que ela é produzida na Holanda, na cervejaria De Koningshoeven – mosteiro trapista produtor da famosa La Trappe.

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A cerveja possui uma coloração marrom avermelhada com boa formação de espuma de cor creme. De aroma complexo e frutado com notas de malte é possível perceber um pouco de álcool e condimentos. No paladar o álcool é ainda mais evidente, apesar de ser uma cerveja bem encorpada e após o choque inicial é possível sentir o dulçor de caramelo. Sabores de amêndoas e frutas escuras também estão presentes, porém mais sutilmente. O amargor do lúpulo é bem evidente e a sensação final adocicada e amanteigada, que remete ao chocolate, agrada muito o meu paladar. Recomenda-se 3 anos como tempo de guarda para maturação na garrafa.

Esta é uma cerveja recomendada para dias frios e harmoniza muito bem com queijos fortes, carnes bem temperadas, chocolates e sobremesas.

Características:

ABV: 11,5%
IBU: 26
Estilo: 29 – Belgian Strong Dark Ale / 64 – Barley Wine
Temperatura de Consumo: 13ºC a 15ºC
Copo recomendado: Cálice