5ª Reunião – Confraria Chug-a-Lug

Data: 01/Junho/2017

Chug-a-luggers Presentes: Alexandre Fornazari, Alessandro Montoya, Gustavo Samogim, João Ferreira, Marcelo Sperandim, Orlindo Martins e Renato Maldonado.
Chug-a-luggers Ausentes: Marco Jordan, Ed Gomes e Rodrigo Menossi.

Presidente: Alexandre Fornazari

A reunião foi iniciada às 20:00, como de costume, com o Bate-papo Técnico conduzido por Alexandre Fornazari. Nesta edição foi feita uma apresentação sobre os cereias fermentáveis. Foi explicado sobre a função destes elementos na cerveja, sua interferência na cor e no sabor da cerveja. Foi explicado também a diferença entre cerais maltados e não-maltados onde foi passado uma lista dos principais cereais maltados, cereais não maltados além de outros produtos fermentáveis. Finalmente foi discutido brevemente outras aplicações envolvendo fermentação.

A degustação foi iniciada logo após o bate-papo e o Presidente da Reunião, Alexandre Fornazari, apresentou formalmente o novo confrade, João Ferreira, e pediu que ele contasse um pouco sobre suas experiências anteriores com cervejas. Na sequência foi repassado novamente as regras da confraria, as funções do presidente, foram tratados alguns assuntos internos e as foram tomadas as definições da próxima reunião. Foi informado também que, devido ao sucesso da degustação no Capitão Barley e aos planos para repetir as degustações com público presente, não haverá mais convidados nas reuniões internas.

O presidente informou que, para dar sequência aos trabalhos ele poderia presidir também a próxima reunião, caso ninguém se voluntariasse para a função. Entretando o confrade Renato Maldonado se voluntariou e foi aceito pelos demais presentes. A data da próxima reunião ficou definida para dia 06/07/2017.

Na sequência foi justificado a escolha de aprofundar no universo Lager, para que todos possam ter uma compreensão melhor dos estilos desta família. O estilo escolhido para esta degustação foi o estilo Vienna Lager. Foi também explicado que a primeira cerveja não atendia o estilo, porém foram selecionadas três cervejas Vienna Lager e todas foram degustadas, avaliadas, comentadas e debatidas entre os confrades e convidados.

Na quinta reunião, as seguintes cervejas foram degustadas e avaliadas:

  • Burgman Casanova – Specialty Beer
  • Da Mata Vienna Lager (7A)
  • Bierbaum Vienna (7A)
  • Hausen Vienna Lager (7A)

A avaliação dos confrades mostrou que as cervejas Vienna Lager apresentaram alto grau de aceitação e avaliação. Com uma vantagem a grande vencedora da noite, na opinião dos confrades, foi a Hausen Vienna Lager, seguida de muito perto da Bierbaum Vienna.

Nossa próxima reunião da confraria será dia 06/07/2017 e nosso próximo presidente será o Renato Maldonado.

Saúde e até lá!

Da Mata Vienna Lager

Características:

Cervejaria: Cervejaria Da Mata
País: Brasil
Estilo: Vienna Lager (7A)
ABV: 4,9%
Temperatura de consumo: 5 – 7 ºC
Copo Utilizado: Lager

Descrição do Fabricante:

Cor acobreada, tem aroma de malte e leve dulçor, com notas tostadas, e suave amargor de lúpulo. Leve, refrescante e de final seco. Conforme o autor da receita, Alfredo Ferreira, do Instituto da Cerveja Brasil: “Foi criada para preencher uma lacuna no mercado nacional. A Vienna Lager é um estilo pouco explorado por aqui, e com grande potencial de crescimento. Ela apresenta como principal característica um excelente equilíbrio entre notas de malte com suave tosta e lúpulos nobres no aroma e sabor”.

Considerações da Confraria:

A cerveja Da Mata Vienna Lager foi nossa segunda avaliada da noite. Aroma de malte levemente adocicado com baixo lúpulo. Na aparêcia a coloração cobre chamou bastante atenção apesar de levemente turva com boa formação de uma espuma bege característica e de baixa retenção. Sabor com amargor baixo, remete a malte e caramelo. Nossos confrades informaram, em sua maioria, que comprariam esta cerveja para consumo exceto o confrade Kim informou que não beberia a cerveja novamente.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Inglesa de 500 mL e seu rótulo é interessante. Tem um visual limpo com motivos tribais (acredito eu) e o nome da cerveja é identificado facilmente. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação por cores ajuda a identificar facilmente o estilo. Possui um texto de apresentação da cerveja, um texto falando sobre equilíbrio e um QR Code com uma playlist do Spotify sugerida e os demais textos obrigatórios por lei. Contudo o rótulo deixa a desejar com a ausência de informações básicas como: temperatura ideal de consumo, harmonização sugerida, o copo recomendado e nível de amargor. Importante ressaltar que o rótulo informa que o produto não deve ser ingerido por: quem está prestes a dirigir e quem é menor de 18 anos de idade.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de com tema tribal, limpo e bem desenhado em uma garrafa de boa apresentação que chama a atenção ao olhar. Apesar da graduação alcoólica estar informada, algumas informações básicas foram deixadas de lado. O responsável pelo design poderia ter priorizado informações que realmente são interessantes, como: amargor, harmonização, temperatura ideal de consumo, copo sugerido. O texto sobre equílibrio é completamente irrelevante e o QR Code para localizar a playlist no Spotify não funcionou por ser muito pequeno.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,1
Aparência: 7,7
Sabor: 7,2
Sensação na boca: 6,6
Impressão Geral: 6,9
Média Geral: 7,1

Ficha de Avaliação

Bierbaum Vienna Lager

Características:

Cervejaria: Cervejaria Bierbaum
País: Brasil
Estilo: Vienna Lager (7A)
ABV: 5,2%
Temperatura de consumo: 3 – 6 ºC
Copo Utilizado: Lager

Descrição do Fabricante:

A cerveja 100% malte, de coloração avermelhada, de baixa fermentação e médio amargor do tipo Vienna Lager. A Bierbaum Vienna possui 05 tipos de malte, com aromas que remetem tons florais e cítricos provenientes dos dois tipos de lúpulo utilizados. Seu sabor apresenta boa presença de malte no início e leves notas adocicadas. Recebe uma generosa porção de lúpulo (Dry hopping), trazendo um agradável e persistente amargor.

Considerações da Confraria:

A nossa terceira cerveja da noite foi a Bierbaum Vienna Lager. Aroma de malte levemente adocicado com baixo lúpulo. Na aparêcia a limpidez e a coloração cobre chamou bastante atenção,  com boa formação de uma espuma bege característica e de média retenção. Sabor com dulçor médio e amargor baixo, remetendo a malte e caramelo. Nossos confrades ficaram bastante impressionados com esta cerveja e todos informaram que comprariam esta cerveja para consumo próprio.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Caçula de 600 mL e seu rótulo é muito bem desenvolvido. Tem um visual clássico com uma imagem da prefeitura de Viena, Rathaus, em dourado logo acima do estilo da cerveja, que facilita sua identificação. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e a diversificação por cores ajuda a identificar facilmente o estilo. Possui um texto de apresentação da cervejaria e da cerveja, hamonização, copo ideal, temperatura de consumo, índice de amargor, premiações e os demais textos obrigatórios por lei. Importante ressaltar que o rótulo informa ainda que o produto não deve ser ingerido por menores de 18 anos de idade.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo de muito bom gosto, com temas que remetem ao estilo e à colonização da cidade de origem da cerveja, Treze Tílias, SC. A garrafa tradicional propicia boa apresentação e o conjunto chama a atenção. O responsável pelo design foi extremamente feliz com o desenho e foi um dos melhores rótulos já avaliados por esta confraria.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 8,0
Aparência: 8,6
Sabor: 7,7
Sensação na boca: 7,4
Impressão Geral: 7,7
Média Geral: 7,8

Ficha de Avaliação

Hausen Vienna Lager

Características:

Cervejaria: Cervejaria Hausen Bier
País: Brasil
Estilo: Vienna Lager (7A)
ABV: 5,0%
Temperatura de consumo: 7 – 10 ºC
Copo Utilizado: Lager

Descrição do Fabricante:

A Hausen Vienna é uma representante clássica do estilo originário da Áustria com destaque para os maltes tostados. É uma cerveja extra de baixa fermentação, coloração âmbar e médio teor alcoólico. O aroma e o sabor destacam os três tipos de maltes tostados utilizados que remetem a pão, biscoito e leve adocicado. Possui corpo médio e a-lug.com.br/wp-content/uploads/201margor suficiente para um final equilibrado.

Considerações da Confraria:

A nossa última cerveja da noite foi a mais bem pontuada da noite, a Hausen Vienna Lager. Aroma de malte levemente adocicado com baixo lúpulo. Cerveja bem transparente com uma coloração cobre muito bonita e  com boa formação de uma espuma de cor bege porém com baixa retenção. Sabor levemente adocicado, remetendo a malte e toffe e amargor leve e equilibrado. Esta cerveja apresentou um equilíbrio maior que as demais do mesmo estilo degustadas e foi a eleita da noite. Todos confrades gostaram muito e informaram que comprariam esta cerveja para consumo próprio.

Embalagem:

A embalagem da cerveja é a Garrafa Caçula de 600 mL e seu rótulo é muito bem desenvolvido. Tem um visual bem tradicional e é utilizado o jogo de cores para distinção de estilos, o que facilita a diferenciação dos produtos. A graduação alcoólica é apresentada no rótulo e possui um texto de apresentação da cervejaria e da cerveja, hamonização, copo ideal, temperatura de consumo, premiações e os demais textos obrigatórios por lei. Importante ressaltar que o rótulo informa ainda que o produto não deve ser ingerido por menores de 18 anos de idade.

Avaliação da Embalagem:

Rótulo tradicional bem elaborado, com temas que remetem ao estilo tradicionalista da cervejaria. Em nosso ponto de vista faltou apenas informar o índice de amargor da cerveja.

Avaliações de nossos degustadores:

Aroma: 7,6
Aparência: 8,0
Sabor: 8,0
Sensação na boca: 7,7
Impressão Geral: 7,9
Média Geral: 7,9

Ficha de Avaliação

Parte 1 – Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager

O tema escolhido em nossa 1ª Degustação, que aconteceu no último dia 27/04/2017 no Capitão Barley, foi “Da Bavária ao Brasil: uma viagem Lager”.  Mas por que escolhemos este tema? Qual foi a nossa proposta com esta escolha?

Escolhemos este tema porque Lager é o estilo de cerveja mais popular do mundo e por estas cervejas serem produzidas em escala industrial de milhões de hectolitros por empresas que valem bilhões. A nossa proposta foi a de agregar conhecimento e fazer com que nosso público possa entender um pouco da história deste estilo e porque ele se tornou tão popular. Mas finalmente, o que é Lager? De onde ela vêm? Por que é tão popular?

Em primeiro lugar vamos esclarecer a termilogia: Lager é um estilo de cerveja. Podemos dizer que toda Lager é uma cerveja mas não podemos dizer o contrário. E, para contar esta história apropriadamente, temos que iniciar esclarecendo que existem também as Ales (pronuncia-se eils). A diferença entre estas duas famílias está nas leveduras. As leveduras de Ale, ou Saccharomyces Cerevisiae, são leveduras de fermentação de topo. Isto significa que toda atividade de fermentação ocorre no topo da coluna de líquido (ou mosto). Outra característica desta levedura é que ela somente fermenta a cerveja em uma faixa de temperatura mais amena, cerca de 15 a 24 ºC.

Desta forma, tradicionalmente, a produção de cervejas era uma atividade sazonal pois somente era viável produzir cervejas em certas épocas do ano. No entanto existem outras cepas de leveduras e, para algumas delas, quanto mais frio melhor. Estas cepas de levedura resistentes ao frio apareceram nas cervejarias da Alemanha, pois no início do século 19 a população tinha o hábito de armazenar o alimento, incluindo a cerveja, em cavernas de gelo nos Alpes para prevenir a deterioração. Esta técnica de armazenamento cedeu o nome para o estilo Lager, pois Armazenamento em Alemão é LAGERung.

As pessoas que se utilizavam destas técnicas de armazenamento notaram que as cervejas armazenadas no frio apresentavam corpo mais leve e sabor mais seco e sutil. O açúcar era mais atenuado e o resultado era uma cerveja menos adocicada. A técnica Alemã levou ao descobrimento das leveduras resistentes ao frio, a Saccharomyces Pastorianus. Estas leveduras também ficaram conhecidas como levedura de fermentação de fundo, ou seja, toda atividade de fermentação ocorre no fundo da coluna de líquido (ou mosto). E as cervejas resultantes desta fermentação no frio eram chamadas de Lagers.

Contudo, as Lagers daquela época eram bem diferentes dos produtos comerciais que conhecemos atualmente. O malte de cevada era muito mais escuro, pois o processo de maltagem utilizado na Alemanha do século 19 não conseguia produzir um malte claro e saboroso. E estas primeiras versões escuras de Lagers originaram uma variedade de estilos que eram comumente chamadas de German Dunkels na Alemanha ou Tmavé Pivo na Bavária (atual República Tcheca).

Gabriel Sedlmayr

Entre 1820 e 1830, um cervejeiro iniciante chamado Gabriel Sedlmayr, viajou pelas regiões produtoras de cervejas na Europa para aprimorar seus conhecimentos sobre cerveja e ficou um tempo considerável no Reino Unido e da Bélgica, onde ele aprendeu novas técnicas de maltagem que produziam um malte muito mais claro, que era a base das Pale Ale britânicas. A produção de um malte mais claro era obtida utilizando-se um processo de queima indireta e lenta. Sua família era responsável pela cervejaria Spaten, na Bavária, e quando Sedlmayr retornou de sua incursão pela Europa, ele aplicou os conhecimentos adquiridos para obter uma cerveja mais estável e consistente. Porém a cerveja Lager da Bavária ainda era muito diferente do que conhecemos hoje como cerveja Lager, pois devido ao uso de maltes escuros as cervejas eram bem pretas, representando o que hoje é chamado de cerveja Dunkel ou uma variedade mais forte, a cerveja Bock.

A nova receita de cerveja lager “melhorada” se espalhou rapidamente pela Europa. Em particular, um amigo de Sedlmayr, Anton Dreher, foi quem primeiro adotou as novas técnicas de maltagem que possibilitaram a criação de uma “Pale Lager”.

Anton Dreher

Em 1840, o cervejeiro austríaco Anton Dreher desenvolveu um estilo de cerveja muito mais claro, de cor cobre-avermelhado, que foi a Schwechater Lagerbier. Este era um novo estilo de cerveja que requeria uma temperatura fria estável para maturação e armazenamento. Originalmente ele chamou a cerveja de Märtzen, ou cerveja de Março, porque a água era mais gelada e ainda havia gelo disponível. Em 1858 a Lager do Anton Dreher a medalha de ouro por excelência no Beer Exhibit em Viena. Mas a maior honraria ocorreu em 26 de novembro de 1861, quando o imperador Franz Joseph I visitou a cervejaria e concedeu a Anton Dreher a Cruz do Cavaleiro (Knight’s Cross) da Ordem de Franz Joseph.

Em 1862 ele recebeu a medalha de ouro da Feira Mundial de Paris e sua cerveja passou a ser conhecida como Viena Lager. A cervejaria Dreher hoje pertence à SABMiller.

O fato que nos interessa entretanto é que, com a melhora no controle do processo de cozimento do malte de cevada, foi possível obter cervejas mais claras e, consequentemente, mais leves. A cerveja clara elaborada por Anton Dreher foi determinante na solidificação do uso do termo Lager para as cervejas fermentadas no frio. As cervejas claras que bebemos hoje em dia possuem sua origem na região da Boêmia, por um caminho que vai da Inglaterra à Bavária.

Porque Pilsen?

Na primeira metade do século 19, os cidadãos da cidade de Pilsen, Boêmia (atual República Tcheca) não estavam satisfeitos com a cerveja fermentada por leveduras do tipo Ale devido à sua baixa qualidade e curta vida útil de armazenamento, tanto que eles esvaziaram publicamente vários barris de cerveja a fim de chamar a atenção. Assim, foi decidido pelo conselho municipal construir uma nova cervejaria, capaz de produzir uma cerveja do estilo lager que possuia uma vida útil mais prolongada. Na época, este estilo era chamado de cerveja da Bavária, pois este processo de fabricação de cerveja no frio se tornou popular nesta região e o clima na Boêmia é semelhante ao da Bavária, tornando possível armazenar gelo do inverno e permitir a fermentação durante todo o ano.

A cerveja da bavária tinha uma reputação excelente, e os cervejeiros da região eram considerados os principais mestres cervejeiros da época. Assim, os cidadãos de Pilsen, não só construíram uma nova fábrica de cerveja, mas também, em 1839, contrataram Josef Groll, um cervejeiro bávaro, para administrá-la. O pai de Josef Groll era dono de uma cervejaria em Vilshofen, na Baixa Bavária e havia muito tempo que experimentavam formular novas receitas de cerveja lager. Nesta época o processo de maltagem já havia progredido bastante e havia disponibilidade maltes realmente claros. Em 5 de outubro de 1842, Groll produziu o primeiro lote da cerveja Urquell , que ficou caracterizada pela utilização de leveduras lager, água mole da região (água com poucos sais minerais), malte claro, e lúpulo Saaz, que era produzido na cidade de Žatec, e proporcionou o efeito preservativo e amargor em adição a um distinto sabor terroso e de ervas. Assim nasceu a primeira cerveja Pilsner do mundo, a Pilsner Urquell. E este estilo de cerveja acabou sendo nominado em homenagem à cidade que a fez primeiro, Pilsen.

Não perca: na próxima semana publicaremos a segunda parte desta história.

Saúde!